No início do século passado era muito chique no Brasil falar francês. As moças educadas e elegantes e os homens de prestígio dominavam o idioma e conheciam todos os costumes do país europeu. No entanto, com a expansão americana depois da Segunda Guerra Mundial, o inglês se tornou a língua da vez e passou a ser considerado universal e indispensável para o sucesso na vida profissional. Isso perdura até hoje.
Mas em se tratando de línguas estrangeiras, novidade mesmo é o mandarim, o difícil idioma dos chineses. Distante geograficamente e pouco conhecido dos brasileiros, o país oriental, que cresce assustadoramente a cada ano e oferece grandes oportunidades de negócios, está levando dezenas de pessoas a se aventurarem pelos mais de cinco mil ideogramas e pronúncia exótica dessa língua oriental.
Em Londrina, algumas escolas já oferecem o curso, que é procurado na maioria das vezes por executivos e empresários. ''A China é um mercado fantástico, que está se abrindo ao mundo, e os empresários de lá preferem tratar com pessoas que falem o idioma oficial. Nossos alunos geralmente são encaminhados pelas próprias empresas onde eles trabalham'', afirma a proprietária da Outras Línguas, Beatriz Labella.
A escola oferece o curso desde 2005 e tem hoje cerca de 25 alunos. ''Ao contrário da maioria dos idiomas, a maior dificuldade para os brasileiros é escrever e ler, por causa dos ideogramas. A pessoa precisa aprender todos os símbolos, ser alfabetizada novamente. Só o curso básico leva quatro anos e para conclui-lo são necessários sete anos'', comenta.
Apesar da dificuldade, Beatriz garante que aprender um idioma de um país tão diferente do Brasil é fascinante. ''Nossa professora é chinesa, e durante as aulas os alunos também aprendem sobre a cultura milenar desse país, que é pouco conhecida por nós mas muito bonita'', diz. ''Estudando muito, qualquer pessoa consegue, só precisa querer'', completa a professora Chang Ya Huei, que mora no Brasil há dez anos.
Na UEL O interesse pelo mercado chinês é tão grande que o governo estadual implantou o curso de mandarim no Laboratório de Línguas da Universidade Estadual de Londrina desde o ano passado, em um projeto experimental. ''O curso dura três semestres e é gratuito. Mas já não temos mais vagas para esse semestre'', garante a coordenadora Marta Aparecida Oliveira Balbino dos Reis.
Assim como o mandarim, a língua japonesa também tem invadido as escolas e conquistado os brasileiros. ''O japonês geralmente é procurado por descendentes ou pessoas que estão indo para o Japão trabalhar. São alunos que precisam aprender a se virar nas situações do dia-a-dia'', afirma Beatriz.
Mas existe quem não esteja pensando em negócios quando decide aprender uma língua oriental. A professora primária Walfélia Furtado Mendes Santos, 65 anos, garante que foi a curiosidade que a levou de volta à escola para aprender o mandarim. ''Tenho vontade de conhecer a China e o resto da Ásia e sempre achei a língua e a cultura muito bonitas. Escrever não é fácil, mas estou gostando de aprender'', afirma.
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