A relação entre professores e alunos se tornou um dos grandes problemas da educação atual. O método antigo, mais opressor e mantendo uma distância hierárquica entre mestre e pupilo, mostra-se cada vez mais fora de moda e impraticável para os alunos contemporâneos.
No lugar dele entrou o que seria considerado o salvador da decadência do ensino. Com o professor tão próximo e flexível, que mais parece um colega de classe, o estilo 'mestre-amigo' também não tem se mostrado eficiente na tarefa de despertar nos alunos o interesse pelos estudos e o respeito ao próximo. Entre as duas correntes, fica a educação perdida e sem importância praticada na maioria das escolas.
Para o educador e escritor paulista Celso Antunes, autor de cerca de 180 livros sobre educação, que esteve em Londrina na semana passada para ministrar uma palestra para professores do Colégio Maxi, o problema está na má interpretação da teoria de que crianças precisam de liberdade e compreensão. ''Os psicólogos criaram um mito em cima da idéia de que não se pode criticar ou recriminar os filhos. Isso gerou uma permissividade na família que chegou à escola e agora está invadindo a sociedade'', comenta.
O ideal para atingir os jovens de hoje, segundo Antunes, é educar com afetividade. ''As escolas nunca ensinaram assim porque não sabiam como fazê-lo. Apenas na segunda metade do século 20 que isso foi introduzido por alguns educadores. Todo ser humano tem afetividade e emoções. Mas nem sempre elas são boas e cabe aos pais e professores despertar esses sentimentos pelo lado positivo'', afirma.
Nas salas de aula, essa teoria se desenvolve quando o aluno deixa de ser ouvinte e passa a ser protagonista do aprendizado. ''Ensinar com afetividade nada tem a ver com ser bonzinho com os alunos e deixá-los fazer o que têm vontade. Precisamos entender que é possível, e necessário, ser afetivo e firme ao mesmo tempo. Quem quer o bem de outra pessoa não é permissivo. Ser um professor afetivo está relacionado com dar o exemplo e envolver o estudante na tarefa de aprender'', teoriza.
Para exemplificar, o escritor usa uma situação simples e muito comum nas salas de aula. ''Nas minhas palestras uso o exemplo de aprender o significado da palavra falésia. Muitos professores simplesmente dariam uma definição de falésia. Mas, ensinar com afetividade é explorar com o aluno as possibilidades de descobrir o que é isso, incentivá-los a procurar no dicionário, na internet, com algum colega que saiba o significado. Isso torna o aprendizado mais dinâmico e o aluno passa a atuar'', garante.
As vantagens desse método, de acordo com Antunes, são melhores resultados na escola e nas relações interpessoais. ''A pessoa precisa entender que ela é mais do que um nome ou uma profissão. Ela é o resultado de suas relações, amizades e sentimentos também. Nesse método o aluno faz escolhas e aprende a tomar decisões, discutindo as melhores formas de resolver um problema'', diz.
Para ele, no método tradicional de lecionar primava pela falta de iniciativa que atrapalhava os estudos. ''Nele os alunos apenas memorizavam um monte de informação, não havia aprendizado real. Mas ele servia bem para o convívio social e o respeito às normas'', comenta.
Mudar essa realidade e trabalhar no método proposto por Antunes requer boa vontade, com ele mesmo diz. ''É preciso que o professor queira mudar, buscar informação. Existem livros muito bons sobre o assunto, do Paulo Freire, por exemplo. Esse método pode ser usado com qualquer assunto e em qualquer idade, basta o professor estudar e descobrir formas de integrar o aluno ao aprendizado. Outra boa atitude é discutir com os colegas de profissão sobre as maneiras de tornar as aulas mais interativas'', afirma.

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