A guerra dos carboidratos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Da Editoria 
O carboidrato é uma das melhores fontes de energia. Sem ele, o metabolismo se altera, afetando inclusive o humor. Por mais que inventem cardápios que eliminam essa fonte de alimentação, uma dieta balanceada deve conter carboidratos, além de proteínas, vitaminas e sais minerais.
Assim, batata, batata-doce, cará, inhame, arroz e macarrão integrais devem fazer parte do cardápio, além de grãos como feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, que também contêm ferro.
Como os carboidratos geram rápida fonte de energia, eles são utilizados antes dos exercícios, de preferência no período da manhã e almoço, devendo se restringir no período da tarde e noite. O excesso de carboidrato à noite gera acúmulo de gordura de difícil metabolização, pois neste período são praticadas menos atividades físicas.
Para a médica Sylvana Braga, especializada em medicina celular, ortomolecular, reumatologia e fisiatria, da equipe do Hospital das Clínicas de São Paulo, o carboidrato é a ''lenha que utilizamos para aquecer a fogueira'' mesmo nas dietas. ''O que dificulta o emagrecimento nas dietas é a utilização do 'mau' carboidrato (farinha branca, arroz branco) ao invés do 'bom' carboidrato. A preparação deste último também é essencial para manter as calorias do carboidrato inalteradas batata cozida pura ao invés de batata com excesso de azeite ou molho'', alerta.
Só gordura A cada temporada surgem novos regimes, principalmente oriundos dos Estados Unidos, país extremamente preocupado com os altos índices de obesidade. Na década de 70, o Dr. Atkins elaborou uma dieta pobre em carboidratos, porém rica em gordura, com boas respostas ao emagrecimento. Contudo, esses pacientes eram submetidos a excesso de gordura animal com sérios riscos de elevação do colesterol. Sylvana observa que as novas dietas com redução total de carboidratos e substituição por proteínas podem gerar o emagrecimento, mas são extremamentente difíceis de se manter para a vida toda. ''Muitas pessoas emagrecem, mas ficam mau-humoradas'', afirma.
''Em excesso, o carboidrato é realmente o 'vilão' da obesidade, mas não devemos suprimi-lo totalmente e, sim, diminui-lo e distribui-lo ao longo do dia, de maneira inteligente: mais quantidade pela manhã e menor quantidade à tarde e à noite'', lembra.
Low carb Depois dos alimentos light e diet, que há tempos detêm uma boa fatia do mercado, uma onda nova atinge os Estados Unidos com o lançamento em massa de produtos com ''baixo carboidrato'' (low carb). Nos últimos dois anos foram colocados no mercado cerca de 1.500 itens com esse rótulo. De cerveja a molho de tomate, eles tentam atingir um público de cerca de 60% dos americanos, com mais de 20 anos, que estão acima do peso.
Para Sylvana, ''é muito mais fácil desfrutarmos da boa proteína peixe, carne magra, frango magro e optarmos por pães e arroz integrais.
As estatísticas comprovam que a obesidade contemporânea está atrelada ao excesso de ofertas da indústria de alimentos ricos em carboidratos com farinha branca refinada. Mas também é fruto do sedentarismo, que, aliado à ingestão destes alimentos, cria perigosas camadas de gordura difíceis de combater. '' Não é saudável retirar todo carboidrato, mas saber escolher o carboidrato bom. Saber restringi-lo também é muito interessante'', orienta.
As proteínas contêm em suas estruturas colágeno e elastina, mantêm os músculos tonificados e ainda previnem o envelhecimento. ''Por isso, também é interessante alimentar-se delas (carnes magras, peixes, ovos e frango), além de folhas, vegetais e frutas, com poucas quantidades de carboidratos, somente para compor o equilíbrio calórico e alimentar'', acrescenta.
Segundo Sylvana, as dietas que suprimem totalmente o carboidrato são difíceis de realizar e, a longo prazo, são as que mais apresentam índices de desistência, pois em todo obeso a principal fonte de caloria e causa da obesidade é o carboidrato associado à gordura. ''Existem também pessoas que necessitam ingerir um pouco de carboidrato para ficarem bem-humoradas e enregizadas. Os obesos acabam retornando ao erro de suprimirem completamente a ingestão de carboidratos. O que provoca o efeito 'sanfona' no obeso é a retirada e reintrodução do carboidrato associado à gordura. É muito difícil, praticamente impossível, alimentar-se só de gordura. Ela sempre vem associada à proteína ou, mais frequentemente, ao carboidrato, como bolacha recheada, pizza, empadinha'', explica.
Na opinião de Sylvana, ''a longo prazo, todas as dietas que retiram radicalmente um dos componentes alimentares, seja carboidrato, proteína ou gordura, estão fadadas ao fracasso.'' q


