A guerra das águas
A guerra das águas
No final do ano passado, as associações de produtores de água mineral do Brasil, Portugal e de outros países de língua portuguesa decidiram atuar em conjunto para pedir a inclusão no Codex Alimentarius da expressão água potável tratada, para designar águas engarrafadas que não sejam minerais naturais. O Codex é a bíblia mundial de bebidas e alimentos, administrado pela Organização Mundial de Saúde e Organização Federal de Alimentos dos Estados Unidos.
Para Carlos Alberto Lancia, presidente da Associação Brasileira da Indústria das Águas Minerais (Abinam), que participou da reunião dos produtores realizada em Sevilha, Espanha, o pedido será apresentado ainda este ano durante o 47º congresso e assembléia geral do Grupo Internacional das Indústrias de Águas Minerais Naturais da União Européia. Segundo ele, esse recurso a ser apresentado num fórum internacional, não interromperá as gestões que estão sendo feitas junto às autoridades brasileiras para evitar que águas tratadas sejam confundidas com águas minerais naturais.
O dirigente da Abinam lembra que o setor vem se mobilizando desde 1994, quando grandes engarrafadoras de bebidas decidiram entrar no mercado de águas, porém, optando pelo lançamento de águas tratadas e artificialmente mineralizadas. Para isso, conseguiram mudar a legislação brasileira, através de simples portaria que autorizou a introdução da nova categoria de produto, identificada apenas como água adicionada de sais. Diante da reação dos produtores de águas minerais, demonstrando que essa designação confundia o consumidor, o Ministério da Saúde baixou portaria determinando a mudança da expressão para água comum adicionada de sais. As engarrafadoras de águas tratadas recorreram contra esse ato e conseguiram novamente alterar a expressão para água purificada e adicionada de sais.
Para Lancia, essa qualificação é um absurdo, pois a condição de pureza só pode ser atribuída a produtos que não sofrem nenhum tipo de alteração. Ele observa que os produtores de águas tratadas não procuram diferenciar o produto, ao contrário, buscam a máxima identificação com a água mineral natural, seja nos rótulos, nas garrafas e nas peças promocionais. Além disso, Lancia argumenta que eles praticam uma concorrência desleal, pois se valem muitas vezes de fontes públicas (água com preço subsidiado), estão livres dos custos de manutenção de lavras e não pagam royalties sobre extração mineral. (A.R.B.)
Serviço: Associação Brasileira de Águas Minerais, fone/fax (11) 816-0484/8143296. E-mail: [email protected] www.abinam.com.br





