A grande sacada
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Angela Raizeer Barbosa<br> Reportagem Local 
Se o edifício tem que ser inteligente, que seja sensível também a áreas contemplativas, criando espaços para curtir a família, os amigos e visualizar uma paisagem de repouso e lazer em um mundo saturado de correrias e imagens de paredes concretadas.
Foi a partir dessas evidências que algumas construtoras passaram a desenvolver uma linguagem comum em seus projetos arquitônicos, contemplando as áreas ao ar livre com espaços generosos, equipamentos e muito verde, espelho das necessidades e desejos dos clientes.
''É a nova filosofia de moradia'', afirma Luiz Carlos Moro Pires, da Construtora Quadra, acrescentando que no caso de sua empresa, essa mudança de planta é resultado de uma pesquisa. ''A preocupação era saber o porquê da tendência de o consumidor preferir os condomínios fechados, que estavam roubando o mercado de apartamentos''. O resultado não podia ser outro: o desejo de consumo se resumia à sacada grande com churrasqueira e áreas de lazer no térreo, amplas e equipadas. Com esses dados nas mãos, a Quadra começou a construir o Terra Brasil, na Gleba Palhano, em fase de conclusão.
Até mesmo o conceito mudou, provocando, inclusive, a mudança de denominação: as sacadas agora são chamadas de varandas. ''Na sacada, a pessoa abria a porta e tinha uma pequena área para olhar a rua. Já a varanda é um espaço para ficar, desfrutar momentos de lazer com a família e os amigos com total privacidade'', explica a arquiteta e decoradora Luíza Bohrer, da Plaenge.
Graças às metragens generosas e à grande gama de possibilidades decorativas, as varandas são agora uma espécie de ''segunda sala de estar e de refeições'' do apartamento só que com a vantagem de ser ao ar livre e desfrutando cenários privilegiados. Há varandas que chegam a medir 20 metros quadrados, como nos edifícios Villanova Artigas, Joan Miró e Gaudi.
''Os dados mostram que o pai da família ficava sem um espaço específico para ele. Filhos e esposas utilizam bastante a área de lazer dos edifícios, especialmente o playground e as piscinas. Já o pai prefere um lugar de lazer no próprio apartamento. A partir dessa informação foi formatado o novo conceito das varandas'', explica Célia Catussi, diretora da Plaenge. Mas quando o assunto é decoração, as varandas passam a interessar também às mulheres e ganham uma atenção especial.
''Graças aos novos conceitos arquitetônicos e ao mobiliário adequado, as varandas se integram aos ambientes internos e formam um espaço único, charmoso e harmonioso'', diz Luíza Boher. Ela orienta que não bastam móveis com estilo e de boa qualidade é importante que as varandas tenham plantas naturais, que devem ser adequadas a posição solar do ambiente.
Para o arquiteto José Carlos Spagnuolo, responsável pelos projetos da Construtora A. Yoshii, ''o aumento da área de sacada acompanha o mesmo raciocínio das áreas verdes e de lazer no térreo, quanto mais e maior, melhor. É a fórmula para tornar os apartamentos tão vantajosos quantos as casas de condomínio''. Segundo ele, essas áreas substituem o quintal das casas. ''Agregar esse quintal à planta do apartamento acabou minimizando as vantagens que só as casas de condomínio apresentavam. Invariavelmente, o cliente acaba comparando. A tendência nos próximos lançamentos é aumentar ainda mais'', garante Spagnuolo.
Paisagem e refeições Para a assistente social Sonia Maia, moradora no Lac Royal, no Igapó 2, a amplidão da área da varanda somou muitos pontos ao fechar o negócio. ''Como o apartamento anterior nem sacada tinha, a varanda deste foi uma das áreas que mais me seduziram na hora da compra. A paisagem, então, foi decisiva. E desde que mudei para cá, procuro usar essa área ao máximo. Gosto de reunir a família para almoços em volta da churrasqueira nos finais de semana e, no dia a dia, arrumar a mesa para o café da manhã ou lanche da tarde, quando a temperatura permite''.


