Uma revolução. É o que primeiro filho provoca na vida de uma mulher. Planejado ou não, ele muda a forma de olhar o mundo, ajusta o foco das coisas para si e traz a realidade à tona. Se antes a mulher tinha que arcar apenas com seus próprios atos (e, às vezes, nem com isso), agora vai ser responsável, no sentido pleno da palavra, por um outro ser humano.
A constatação de que a maternidade é um caminho sem volta dá um novo fio condutor à existência, mas nem sempre é aceita com tranquilidade pelas mães de primeira viagem. É o que conta a psicóloga Fátima Comte, no texto sobre depressão pós-parto, na página 23. Do momento em que recebem a notícia sobre a gravidez ao convívio diário com o rebento, algumas mães estreantes contam à Folha da Sexta como estão se saindo no papel mais importante de suas vidas.


Daniele: sem nenhum medo do parto, marcado para hoje ‘‘Sempre quis ser mãe jovem, mas a gravidez não foi planejada. Namorávamos há oito anos e fazíamos planos de casar em março deste ano. Antecipamos tudo. Casamos em novembro e, apesar da pressa, foi como eu queria: na igreja, com festa. Quando soube da gravidez, fiquei assustada, senti medo, fiquei com receio da reação dos outros por ainda não ser casada. Mas um filho era tudo o que eu queria. Adoro crianças. E os amigos com os quais eu e meu marido convivemos já são casados, têm filhos. Acabei perdendo alguns trabalhos durante a gravidez, mas se tivesse que escolher entre trabalhar e estar grávida, nem pensaria duas vezes. Eu tinha certeza de que seria uma menina. Na hora em que o médico disse que era menino, fiquei meio desapontada, mas hoje já não me vejo como mãe de menina. Temos planos de ter mais um filho. O meu maior medo é de que ele se desvie com as amizades no futuro. Não tenho o hábito de conversar com a barriga, é muito estranho. E também não tenho medo nenhum do parto, e prefiro que seja normal. Acho frescura o que se diz sobre a gravidez. Só senti desejo uma vez, de comer pipoca doce. Não vejo a hora de pegá-lo no colo.’’ Daniele Magro, 23 anos, modelo e gerente de empresa

Mariângela: ‘‘A maternidade muda tudo’’ ‘‘Tive problemas hormonais e comecei a fazer tratamento para ovular. Engravidei logo em seguida. Por não ter dilatação, tive que fazer cesárea. Foi absurdamente tranquilo. Se soubesse que seria assim, não teria trabalhado tanto o meu lado emocional para o parto normal. Ao contrário do meu marido, eu nunca tive contato com criança, meus primos já eram grandes quando eu era criança. A primeira fralda que troquei na vida foi a da minha filha. Maria Luíza tem quatro meses. É muito boazinha, só acorda uma vez durante a madrugada para mamar, e sempre dormiu sozinha, no quarto dela, com as luzes apagadas. A tranquilidade dela faz com que eu ache a maternidade muito mais fácil do que eu imaginava. A cada dia que acordo, me sinto mais dependendente dela. Voltei a trabalhar esta semana e cancelei a ginástica, que fazia à noite, senão não a veria acordada. Fico imaginando quanta coisa vou perder. Sempre que ela fazia uma nova descoberta, ligava correndo para contar para minha mãe. Agora vai ser o contrário. Ficar sem trabalhar nos primeiros anos de vida dos filhos é um privilégio. Ano que vem, vou começar pós-graduação em Gestão e Gerenciamento de Negócios . Tenho que fazer uma carreira para garantir a qualidade de vida dela. Meu maior medo é das más influências, do que vem de fora e eu não possa controlar. A maternidade muda tudo. Instintos afloram, a gente fica mais forte, passa a ter reações mais rapidamente e perde o medo de tudo.’’ Mariângela Frederico Pacheco, 28 anos, administradora de empresas


Priscila: ‘‘Davi acorda duas vezes por noite e brinca o dia inteiro’’ ‘‘Descobri que estava grávida no Dia das Mães do ano passado. Foi mais do que um susto. Para toda mulher, essa notícia é boa, mas foi muito inesperado. Uma mudança muito grande na minha vida. Saí da casa da minha mãe, de uma vida estável, para o desconhecido, para o desafio de ter família e de criar filhos. A gente não pensa mais na gente; o filho está em primeiro lugar. Namorei cinco anos, a gente pensava em se casar, mas só quando eu tivesse uns 27 anos. Antes disso, queria fazer faculdade de Relações Exteriores em Brasília. Meu marido ainda não terminou a faculdade. Não tínhamos planos de ficar em Londrina, mas de viver em uma grande metrópole. Me atrapalho toda na cozinha, não tenho agilidade para cozinhar e cuidar do Davi, que hoje tem seis meses. Agora ele está na fase de querer só a mãe e o pai, de se jogar no colo. Vou buscar marmita na minha mãe todos os dias. Ele acorda duas vezes por noite e brinca o dia inteiro. Tenho um cargo burocrático, sou diretora de uma auto-escola, e meu horário é mais flexível. Estou indo trabalhar apenas uma vez por semana porque estou amamentando e só agora ele começou a comer papinha. Adorava cuidar dos meus primos quando eles eram bebês, mas a experiência não me serviu muito. Com filho é outra coisa.’’ Priscila Cardoso Weber Regioli, 23 anos,


As irmãs Alessandra e Tatiana tiveram filhos com apenas seis dias de diferença As irmãs Tatiana e Alessandra estavam há muitos quilômetros de distância uma da outra e nem sequer sonhavam que seriam mães em poucos meses. Ainda mais quase simultaneamente. Teodoro e Guilherme nasceram mês passado, com apenas seis dias de diferença. A família delas, que mora em Mato Grosso, se reuniu para paparicar os rebentos na casa da matriarca, em Londrina, transformando a pacata rotina do lugar. ‘‘Tem colchonetes para todos os lados’’, conta a ex-modelo Tatiana Alencar Capeletti, 27 anos. Em março do ano passado, depois de ter oficializado o noivado na sua formatura de Direito, em Guaíra, Tatiana foi ao médico fazer os exames e entrou em pânico ao ouvir: ‘‘Você veio fazer o pré-nupcial ou o pré-natal?’’. O casamento, que estava marcado para janeiro deste ano, teve que ser antecipado, sem direito a festas e à cerimônia religiosa, que deve acontecer no próximo ano. ‘‘Só planejava um filho para daqui a três anos. E achei que teria que fazer tratamento para engravidar ’’, observa Tatiana, que diz não saber mais o que é dormir. ‘‘O Téo tem cólicas, e eu tive problemas com a descida do leite, que empedrou. Precisei ir ao hospital para extrair com a máquina. O bico do seio rachou e descamou. Sinto muita dor, mas ela é totalmente anulada quando olho para ele mamando. É um misto de prazer com orgulho’’, descreve. Para a dentista Alessandra Alencar, 32 anos, a surpresa com a notícia de que seria mãe foi ainda maior. ‘‘Eu tinha endometriose e mioma, que inviabilizam a gravidez. Com 32 anos, a mulher tem apenas 40% de chances de engravidar. Imagine então, com todos esses problemas. Queria muito ter um filho, mas para mim era um sonho impossível. Há seis anos, um médico disse que se eu não engravidasse em 12 meses teria que tirar o útero. E mesmo se não tirasse, não haveria hipótese de engravidar sem tratamento’’, lembra. Contrariando todas os prognósticos, Guilherme chegou sem planejamento. ‘‘Não teve jeito, esse baixinho lutou muito para estar aqui’’, diz ela, que passou por uma gestação complicada. ‘‘Vomitei até o quarto mês e ia de dois em dois dias ao hospital. Depois que o Guilherme nasceu, tive mastite e meu leite foi extraído com máquina, durante 24 horas’’, relata, sem sombra de arrependimento. ‘‘Faria tudo de novo, só para olhar nos olhos azuis dele’’.

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