A fórmula do bom design
Angela Raizer Barbosa
Este final de século vem mostrando que o mobiliário brasileiro existe e apresenta qualidades excepcionais. Mais do que nunca, esta é uma época em que a arte de talentosos designers cria as formas e a tecnologia brasileira as realiza com qualidade comparável ao melhor do mobiliário internacional. Esse reconhecimento, altamente favorável ao design tupiniquim, é do engenheiro civil Breno Rivkind, diretor da Brentwood, uma empresa que atua num segmento diferenciado de produtos para a área da decoração. No dia 21 de outubro, Rivkind estará abrindo sua filial em Londrina a primeira fora de São Paulo em parceria com a londrinense Freuden Furniture.
Depois de cinco anos comercializando mobiliário clássico, importando peças de grandes nomes do design como Mies Van der Rohe, Le Corbusier, Marcel Breuer, entre outros, Breno Rivkind começou a utilizar o trabalho de criação de designers nacionais. Na busca de novas opções e sentindo necessidade de ampliar a linha contemporânea, o empresário está investindo há um ano na indústria brasileira para a produção de móveis e no talento de designers que criam peças exclusivas para suas lojas. Nesta entrevista exclusiva à Folha da Sexta, Breno Rivkind fala sobre o novo perfil da empresa e analisa a qualidade da produção nacional.
Folha da Sexta: Cerca de 70% das peças importadas comercializadas em sua lojas foram substituídas por produtos brasileiros. Esse investimento na produção nacional deu os resultados esperados?
Breno Rivkind: Identificamos fornecedores que têm a mesma competência tecnológica que encontrávamos no exterior. A nossa surpresa não poderia ser mais gratificante quando verificamos ser possível a produção no Brasil, com a mesma qualidade, desses clássicos do design, com preços extremamente competitivos. Além disso, profissionais brasileiros estão desenhando com exclusividade para a Brentwood dentro de tendências internacionais. Esta estratégia já está rendendo bons resultados que se traduzem num aumento de 30% a 40% nas vendas.
Folha da Sexta: Como o senhor define o bom design nacional? Dá para citar nomes?
Breno Rivkind: É aquele que trabalha com conceitos globais como conforto, ergonomia e qualidade da matéria-prima. Utiliza a alta tecnologia para combinar diferentes materiais dentro de um conceito clean (linhas retas e simples), minimalista. Sua tradução está na produção de peças aceitas em qualquer parte do mundo e que são, acima de tudo, criativas, inovando antigos conceitos. Entre os nomes nacionais temos Arthur de Mattos Casas, Wagner Brasil, José Wilson Coronel, os irmãos Humberto e Fernando Campana, entre outros.
Folha da Sexta: Os clássicos importados ainda têm mercado no Brasil? Nesse estilo, qual o tipo de mobiliário que o brasileiro mais gosta?
Breno Rivkind: Na linha importada podemos considerar dois tipos distintos de móveis clássicos. Um deles é o mais tradicional, cheio de detalhes, para projetos com perfil mais conservador. Esse estilo esteve e estará presente nos projetos de interiores dos brasileiros. Uma tendência é a sua composição com linhas contemporâneas, dando leveza e estilo aos projetos de interiores, combinação que deve ser feita com a consultoria de um profissional. Também há os clássicos contemporâneos que têm uma conotação moderna, mas que foram criados nas décadas de 30, 40 e 50. São produtos eternos, que cada vez mais estão presentes na casa dos brasileiros.
Folha da Sexta: O que um móvel de qualidade deve ter?
Breno Rivkind: Deve ser projetado por um designer que conheça todas as normas e padrões de ergonomia e estudado em cada uma das etapas de produção. Após esse estudo é feito um protótipo para ser analisado. Nesta etapa, todas as suas características são testadas: resistência, durabilidade, estilo, conforto, etc. Depois de aprovado passa a ser produzido, sendo mantidos os testes de qualidade. Desta forma, quando é comercializado possui garantia total, design exclusivo e acabamento impecável.
Folha da Sexta: Quais os nomes do design
internacional que emprestam sua assinatura à Brentwood? Há móveis de grandes designers feitos aqui sob licenciamento?
Breno Rivkind: Entre os clássicos contemporâneos temos peças de Mies Van Der Rohe, Harry Bertoia, Le Corbusier, Eero Saarinem, Marcel Breuer, Isamu Noguchi. Parte da linha é importada, mas já estamos comercializando peças produzidas no Brasil com o mesmo padrão técnico e de qualidade dos importados. Não há diferença na questão da qualidade e, sim, nas condições de preço.
Folha da Sexta: Em mobiliário, o que é atemporal?
Breno Rivkink: São peças eternas que podem ser utilizadas em projetos de diferentes estilos. São produtos únicos e originais, aprovados no mundo todo pois se adaptam a diferentes culturas e modos de vida.
Folha da Sexta: Para onde caminha o mobiliário?
Breno Rivkink: Conforto, qualidade, ergonomia e originalidade são elementos indispensáveis para quem produz e comercializa móveis. A tendência é que esses aspectos caminhem juntos com outras tendências como o minimalismo, o clean. Também ganha destaque a composição de diferentes materiais como a madeira com o aço, a madeira com o vidro, o couro com o aço, etc.
Folha da Sexta: O clássico e o contemporâneo ainda podem andar juntos? Quais as contra-indicações desse mix de estilos?
Breno Rivkind: Esses dois estilos sempre andaram e continuam andando juntos. Eles se adaptam a diferentes estilos e perfis de clientes. O clássico pode predominar, com peças de designers contemporâneos. Mesmo o estilo moderno deve conter peças mais clássicas. Esta composição deve ser feita com a consultoria de um decorador ou arquiteto, já que para ser harmônica e adequada depende de conhecimento de cada um dos estilos. É essa técnica do profissional que faz a diferença. Na conclusão do projeto tudo deve estar em equilíbrio: estilos, cores, materiais e iluminação. Assim, a contra-indicação da mistura de estilos é fazer a composição aleatoriamente, sem um estudo prévio de todos os elementos.O talento de designers e a qualidade de produção mudam o conceito do mobiliário nacional
DivulgaçãoO bom design é aquele que trabalha com conceitos globais como conforto, ergonomia e qualidade da matéria-prima, diz Breno RivkindDivulgaçãoDivulgaçãoAparador e balcão bufê: criações de José Wilson Coronel e Wagner Brasil para a BrentwoodDivulgaçãoDesign exclusivo e acabamento impecável: criação nacional





