A força em harmonia
O aikidô é uma arte marcial que reúne filosofia, autodefesa e qualidade de vida














Jossânia Navolar
Os praticantes não se enfrentam, eles se harmonizam através da energia (ki) liberada pelos movimentos
Bem-estar, flexibilidade, relaxamento físico e mental e otimização do funcionamento de todos os órgãos internos do organismo, da coluna vertebral, do sistema imunológico e da resistência orgânica de um modo geral. Estes são alguns dos benefícios proporcionados pela prática do aikidô, arte marcial desenvolvida pelo japonês Morihei Ueshiba, em 1927. O termo, numa tradução aproximada para o português, significa um caminho de vida (ou de forças e de energias) harmonioso.
Hoje, há um milhão de pessoas no mundo praticando essa arte, a maior parte no Japão. No Brasil são cerca de 1.500 aikidoístas. A arte foi introduzida aqui pelo Mestre Reisnhin Kawai, 8º Dan (ou grau), há mais de 30 anos. Kawai, por sua vez, indicou em 1995, o professor Rodolfo Reolon, 2º Dan, como seu representante para atuar no Paraná.
O domínio de si Segundo uns dos instrutores indicados para atuar em Londrina, Nereu Peplow, 46 anos, a arte é sempre praticada por duas pessoas, uma servindo de parceira para outra, sem que se chegue à agressão física. Peplow explica que o aikidô tem baixo impacto, visa atingir as articulações do corpo humano e é sempre exercitado de forma circular. ‘‘Isso em razão do fato da natureza e do universo ser compostos de formas circulares. O que explica o equilíbrio e a adequação encontrados nessa arte. No final, a luta em si proporciona relaxamento muscular, aliviando tensões e equilibrando o sistema nervoso’’, explica.
O aikidô melhora o sistema cardiorespiratório e ajuda a prevenir e a combater diversos problemas de saúdeO que não significa que o aikidô seja menos importante como forma de autodefesa. Pelo contrário. Como visa atingir as articulações, o praticante consegue imobilizar um atacante com facilidade. Entre os seus praticantes famosos está o ator Steven Seagal. Consagrado pelos filmes de ação, Steven Seagal, 7º Dan, sofre críticas por parte de alguns aikidoístas pelo fato de, através de seu trabalho, distorcer um pouco a filosofia original da arte, que não visa a violência, mas a harmonia.
Equilíbrio Reolon explica isso, lembrando que durante os treinos o praticante aprende a ter noções do seu próprio centro, a ‘‘Por fora como
um algodão, por
dentro como
um ferro’’
(provérbio japonês)
O domínio de si mesmo é um dos principais objetivos dessa arte, ajudando seus praticantes a desenvolver potenciais e superar dificuldadesfim de dominar não apenas o atacante, mas também o próprio espaço em que ele se encontra. ‘‘Esses conceitos podem ser estendidos ao restante do universo do indivíduo. Seu íntimo, seu lar, sua família, seus amigos, seus vizinhos, seu trabalho, entre outros. Aqui, temos o conceito ocidental de uma pessoa ‘centrada’, ou seja, aquela que encontrou seu equilíbrio’’, explica. E é nesse sentido que o aikidô colabora tanto para combater o stress como para o desenvolvimento da criatividade e das habilidades intelectuais.

Sem fazer força alguma, um aikidoísta é capaz de impedir que dois ou mais indivíduos o derrubemIndicado para crianças, jovens e adultos, não há limites máximo de idade para iniciar-se nessa atividade. ‘‘Há alunos que se iniciaram na arte com mais de 60 anos e hoje estão com 80 ou mais e continuam praticando’’, diz. Reolon explica também que não é necessário ter conhecimento em outras artes marciais. Pelo contrário, quem nunca praticou nenhuma arte acaba levando vantagens, já que não adquiriu vícios ’’, afirma o professor.
Quanto à questão da violência, geralmente levantada quando o assunto é luta, o professor ressalta que o aikidô, ao contrário de estimulá-la, funciona como formador de caráter, já que dá noção de disciplina, ordem e hierarquia. Justamente por tais características é excludente da violência em qualquer uma de suas formas. Algo que é reforçado em suas regras básicas: em seus regulamentos é absolutamente proibida a organização de campeonatos ou a participação dos praticantes em competições e até mesmo o emprego da arte em causas violentas’’, revela.

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