Os avanços tecnológicos na área têxtil vêm criando um cenário tão futurista para a moda – com tecidos de última geração e efeitos inimagináveis até há pouco tempo – que a época das tricoteiras e bordadeiras parece pertencer a um passado remoto. Mas basta dar uma olhada ao redor para perceber que a coisa não é bem assim.
O movimento nas lojas que comercializam fios de crochê e tricô continua a todo o vapor e não é raro encontrar profissionais que sobrevivem tecendo modelitos sob encomenda. Não podia ser diferente. Num país de tantos contrastes, modernidade e tradição andam de mãos dadas.
No concorrido circuito fashion, essa particularidade não passou despercebida. Ao mostrar nas passarelas européias as principais técnicas artesanais tupiniquins, como patchwork, fuxico, crochê e nozinho, o estilista Carlos Miele imprimiu, aos olhos do mundo, o adjetivo ‘‘artesanal’’ à moda brasileira.
Para a professora Mara Cristina Almeida, que há 18 anos dá aulas de tricô e crochê e faz peças sob encomenda em Londrina, o artesanal nunca vai sair de moda. ‘‘As peças feitas a mão são exclusivas, não dá para fazer duas iguais’’, observa. Outra vantagem do trabalho manual, segundo ela, é a possibilidade de criar diferentes combinações de pontos. ‘‘O resultado é mais fino e delicado se comparado ao padrão industrial’’, diz.
A artesã, cujas peças já foram parar em Portugal, atende cerca de 10 encomendas por mês. Usa apenas linhas de rayon e algodão e cobra aproximadamente R$ 60,00 por uma blusa; 100,00 por um vestido e R$ 200,00 por um conjunto de calça e top. Os estilos – e as clientes – são ecléticos. ‘‘Vai das que querem as coisas mais simples às mais extravagantes’’, relata.
Simples, mas sofisticado. Assim é o trabalho do artesão Márcio Vaz da Costa que, aos 93 anos, passa parte do dia tecendo xales de crochê no tear manual, ‘‘uma engenhoca criada por ele mesmo’’, conta a filha Gelza. Cada peça, com linha simples, custa R$ 35,00; com fios especiais (dourado ou prata) sai por R$ 45,00. ‘‘Temos vendido mais peças em São Paulo do que em Londrina’’, diz Gelza.

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