Rosângela Vale
Promovida pela Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina, a 2ª Mostra Primavera Verão, que aconteceu semana passada, reuniu em um único espaço expositores de várias áreas, de pequenas confecções a uma improvisada galeria de arte. Além de oferecer produtos mais baratos, o evento aproximou os consumidores das marcas locais, provando que a Cidade conta com produção própria em diversos segmentos, gerando empregos e formando mão-de- obra especializada.
Um bom exemplo é a Escola de Joalheria de Cirilo Landi e Anderson Pisanelli, que funciona junto com o ateliê. Fundada há pouco mais de um ano, já formou uma turma e atende atualmente 18 alunos. Anderson conta que cinco pessoas já montaram oficina em casa. ‘‘Mercado de trabalho existe, principalmente agora com o curso de moda da UEL. Abriram-se mais portas para a área’’, observa. De acordo com ele, Londrina oferece algumas facilidades para quem trabalha com jóias. ‘‘Pouca gente sabe, mas na Cidade tem uma loja que só vende pedras preciosas’’, diz. O designer observa que qualquer pessoa pode fazer o curso. ‘‘Temos desde alunos adolescentes até donas de casa e também engenheiros e protéticos. É um trabalho que pode ser levado com um hobby’’, explica.
O curso de manufatura de jóias tem duração de um ano e é dividido em três módulos: básico, intermediário e avançado. As inscrições custam R$ 20,00 e as mensalidades variam de R$ 100 a R$ 150,00, dependendo do módulo. ‘‘No básico, ensinamos a recortar, laminar e soldar o metal; no avançado iniciamos a cravação básica com pedras planas, estamparia no metal e mecanismo de fechos de brincos, e no avançado entram várias técnicas de cravação, além de articulação de fechos de pulseiras e colares’’, explica Anderson. A Escola de Joalheria oferece ainda um curso de Desenho de Jóias, com duração de quatro meses. A primeira turma ainda está sendo montada. Em termos de tendências, Anderson aponta o ouro branco escovado, assim como a joalheria de estilo mais pesado, que voltou em decorrência do resgate neo hippie feito pela moda.
Também de olho nos ditames fashion, a arquiteta Luciana Saraiva conseguiu alcançar suas expectativas de vendas durante a Mostra. ‘‘Precisávamos de mais público, mas ainda assim vendi 30% do que levei’’, conta. Dona da marca Couro Design, ela produz cintos e bolsas numa pequena fábrica em Rolândia, onde conta com cinco funcionários, além de bordadeiras terceirizadas. Sua produção mensal não passa de 500 peças (300 bolsas e 200 cintos, dependendo das encomendas), mas a qualidade salta aos olhos.
Luciana entrou no ramo há oito anos, quando começou a fazer cintos de miçangas para uso próprio, porque não encontrava modelos de seu gosto. As amigas gostaram, as lojas se interessaram e o negócio deu certo. No começo desse ano, iniciou a produção de bolsas em couro para venda no atacado. Em Londrina, fornece para as lojas Lot, Virhus e Mug. Com estampas em lezard, croco, avestruz e pele de boi, as bolsas têm alças reguláveis e muitas cores. ‘‘A camurça colorida e o couro natural são tendências fortes para o verão’’, destaca Luciana, que cursa pós-graduação em moda na UEL. Além de criações próprias – ela desenvolve e faz a modelagem – na sua coleção não faltam adaptações de modelos consagrados lançados pelas grifes Gucci, Fendi e Prada.
Quem passou pela Mostra teve também a oportunidade de apreciar as belas gravuras dos artistas plásticos Paulo Mentem e Dolores Branco, que trabalham com xilogravura, gravura em metal e serigrafia. ‘‘De todas as técnicas, a gravura em metal é a mais difícil. Às vezes, fico um mês trabalhando em cima de uma só criação’’, diz Dolores, que tem 32 anos de carreira, já expôs na Europa e fez várias capas e ilustrações de livros. Objetos de cerâmica são outra paixão da artista, que inventa recortes diferenciados para suas peças. ‘‘Gosto delas assim, como se fossem agredidas, ficam parecendo objetos antigos’’, diz.
Entre as confecções, destaque para a grife de lingerie Sonho & Maria, que trabalha com tamanhos maiores e com peças para gestantes, além de luxuosos modelos para noivas. Marcas que já estão no mercado há mais de uma década, como a Banco de Vestimenta e a Pano Plano, também apresentaram na Mostra suas propostas para o verão 2000. Ambas trabalham com uma linha clássica, para jovens senhoras e executivas, mas com abordagens diferenciadas. Enquanto a Pano Plano (que vende no atacado), investe nos detalhes, como silk em cashemere indiano, tela com barbante rústico, couro e renda baiana para conjuntos de malha, a Banco de Vestimenta (que atende atacado e varejo), adapta o tailleur – carro-chefe da marca – ao clima e ao astral do verão.
A receita é apostar nas cores pastel e nos tecidos leves, como albene, linho com tratamento rústico e microfibra importada. Com uma produção de 600 peças mensais e 10 funcionários, e empresária Ceila Jorge, uma das sócias da Banco de Vestimenta, comemora: ‘‘Para nós, o mercado tem sido muito bom. Não fazemos produção em escala porque supervisionamos tudo; assim temos absoluta confiança na qualidade do produto’’.
Serviço:
Escola de Joalheria – fone: (43) 324-1325
Couro Design – fone: (43) 912-1427
Dolores Branco – fone: (43) 324-2291
Sonho & Maria – fone: (43) 324-5747
Banco de Vestimenta – fone: (43) 321-1374
Pano Plano – fone: (43) 322-1699Marcas locais de roupas e acessórios, artistas plásticos e uma escola de joalheria foram os destaques da Mostra Primavera Verão
Fotos: Paulo WolfgangPeças criadas pelos designers Cirilo Landi e Anderson Pisanelli, que há um ano fundaram uma escola de joalheriaBolsas da Couro Design, marca que leva a assinatura da arquiteta Luciana Saraiva: fábrica em RolândiaDetalhes, como o barbante rústico, marcam a coleção da Pano PlanoLuminária de sucata, peças em cerâmica e gravura em metal de Dolores Branco

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