A força da meia-idade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de julho de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A vida moderna impõe várias cobranças para quem já chegou à fase adulta. Garantir um emprego estável, comprar casa e carro, constituir família e ter atividade social são as mais comuns. Com tanta coisa para se preocupar, acaba sobrando pouco tempo para cuidar da saúde e da forma física. E a realidade para quem já passou dos quarenta é perceber as mudanças no corpo, como flacidez e ganho de peso, sem se preocupar muito.
Foi para esse público que os professores de educação física Ricardo Magalhães Albertino e Waldemar Marques Guimarães Neto, juntamente com a atleta de fitness e personal trainer Andrea Rezler Wosiacki Daemon, resolveram preparar o livro e a fita de vídeo ''Fazendo uma ótima escolha''.
O objetivo é incentivar as pessoas de meia-idade a praticar esportes, especialmente musculação, área de atuação dos autores, e esclarecer dúvidas e dar dicas para que a atividade seja um hábito na vida dos adultos assim como o compromisso com o trabalho e a cerveja do happy hour. ''A gente vê muito incentivo e literatura sobre exercícios para jovens e para idosos, mas quando você procura material para a meia-idade não encontra quase nada'', argumenta Ricardo.
Inspirados na própria experiência, uma vez que Andrea começou a praticar musculação perto dos 30 anos e Ricardo interrompeu seus treinamentos para só retornar depois que passou dos 40, os três acreditam que vale a pena dedicar um tempo para as atividades físicas. ''Muita gente faz ginástica quando é jovem para ficar bonito e depois só retorna quando já está velho e precisando dos exercícios por causa de problemas de saúde que já existem. Se essas pessoas se cuidarem sempre, os problemas podem nem aparecer'', lembra Ricardo.
E não é só a saúde que agradece; manter a boa forma, apesar da idade, também faz bem ao espírito. ''A auto-estima melhora, a pessoa se sente mais disposta e mais bonita. Principalmente com a musculação, os resultados aparecem rapidamente. Depois de seis semanas já existem mudanças, independentemente da idade'', diz.
No entanto, alguns cuidados devem ser tomados antes de entrar em uma academia ou começar a se exercitar por conta própria. Para os que não são mais tão jovens, a consulta com um especialista é fundamental para evitar problemas futuros. ''A avaliação médica é importante porque o professor da academia não está apto a constatar a saúde cardiovascular da pessoa e se ela está apta a realizar todos os exercícios. Se um adolescente chegar aqui, eu não vou me preocupar, mas com uma pessoa adulta, esse tipo de cuidado é necessário antes de começar qualquer tipo de exercício'', afirma.
Outra preocupação dos autores do livro, é alertar para os perigos de se praticar atividades físicas apenas nos finais de semana. Sem o preparo ideal e contínuo, as lesões e problemas mais graves podem acontecer.
''As atividades físicas bem-sucedidas são aquelas programadas com base em evoluções periódicas e de acordo com a capacidade e objetivo de cada pessoa'', alertam. O ideal para esses casos é que a atividade física constante seja um apoio para as práticas de lazer. ''Não estamos dizendo que o futebol ou o tênis, que muitos adultos praticam de vez em quanto, devem ser abolidos, mas é importante preparar o corpo para isso. A musculação, feita três vezes por semana, e algum exercício aeróbico garantem a segurança'', diz Ricardo.
Depois de avaliar tudo isso, basta escolher a modalidade preferida, definir um horário para os exercícios e se preparar para uma velhice mais tranquila e saudável. n


