Serrar, furar e soldar, não, você não está lendo a matéria errada, essas técnicas fazem parte do universo da joalheria. É o conceito bruto de uma atividade aparentemente delicada. E é também o argumento favorito de professores e aprendizes de design de joa­lheria. Eles explicam que para ser um bom profissional, além de ter repertório cultural para projetar as peças, é preciso força nos braços e destreza nas mãos.
Para a maioria da pessoas, o mundo da joalheira é sinônimo de luxo, glamour e sofisticação, mas ao contrário do que se imagina, antes que uma peça atinja esses status, o caminho é pouco glamouroso e exige paixão. "É um dos trabalhos artesanais mais pesados que existe", comenta o designer Cirilo Landi, professor de joalheria há 20 anos e empresário.
Tão pesado que um dos primeiros exercícios dos alunos do curso de joalheria da escola Argenteria, da qual Landi é um dos proprietários, é serrar uma chapa de prata. "Digo que a profissão é quase semelhante a um serviço de borracheiro; é para quem não tem preguiça ou medo de se sujar", brinca.
O curso oferece uma visão geral da fabricação de uma joia, desde a criação à produção artesanal, da qual a peça é confeccionada com prata. Segundo Landi, as aulas são destinadas não só para graduandos de design e interessados em joalheria, "mas para os amantes desse universo", comenta.
Porém, nem só de força vive a atividade. Entre furadeiras, tesouras, guilhotinas e brocas - que mais parecem materiais de tortura -, sensibilidade e habilidade com as mãos na hora de iniciar o acabamento das peças, têm a sua vez. "A joalheria exige precisão e tem suas sutilezas. Na verdade, é uma eterna busca pelo equilíbrio da força", explica a desenhista industrial Danielle Domuci, que está de viagem marcada para Florença e Milão, onde vai aprimorar as técnicas e cursar mestrado.
Danielle, que já possui um a­teliê onde produz peças para amigos, familiares e clientes, conheceu o ramo da joalheria na faculdade, e procurou um curso prático para aprofundar os seus conhecimentos. "Foi colocando a mão na massa que eu passei conhecer e descobrir a funcio­nalidade e os limites de fabricação das peças que eu projetava no papel", afirma Da­nielle. Segundo ela, é comum entre os estudantes desenhar projetos mirabolantes impossíveis de ser fabricados e até usados. "Por isso, é importante praticar, mesmo que o designer não tenha a intenção de construir as suas próprias peças", diz.
Cultura, criatividade e vivência também fazem parte da bagagem do designer. Por isso, para os aspirantes à profissão, lá vai a dica. "Leia muito sobre assunto, visite museus, vá ao cinema, teatro, viaje com frequência para lugares diferentes, procurando sempre ter contato com o máximo de informações possíveis", orienta Landi.

Investimento
O curso custa em média R$ 320, com uma aula de três horas e meia por semana. Embora seja um ramo de eterno aprendizado, são necessários pelo menos seis meses de aulas para começar a produzir peças. Se­gundo Landi, apesar dos materiais e equipamentos ser importados, o investimento para quem deseja montar seu próprio ateliê não ultrapassa de R$ 1 mil.

Imagem ilustrativa da imagem A força da delicadeza - Mão na massa
"É um dos trabalhos mais artesanais e mais pesados que existe", afirma o designer Cirilo Landi, professor de joalheria há 20 anos, e empresário
Imagem ilustrativa da imagem A força da delicadeza - Mão na massa
"A joalheria exige precisão e tem as suas sutilizas. Na verdade, é uma eterna busca pelo equilíbrio da força", diz a desenhista industrial Danielle Dornuci