A evolução do band-aid
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de janeiro de 1997
Rosângela Vale 
Milton DóriaO patch não faz a pessoa parar de fumar. Só larga o cigarro quem se conscientizou sobre os males que ele provoca, diz o cirurgião toráxico Eduardo SahãoMais conhecido no Brasil como auxiliar nas terapias antitabagistas, o adesivo transdérmico tem se revelado um recurso de mil e uma utilidades para a medicina. Substituindo a medicação via oral e as injeções, ele tem cara de curativo, mas funciona como um reservatório de medicamento. Com uma espessura média de 2 milímetros, o adesivo -patch, em inglês - faz com que o remédio seja absorvido gradualmente pelo organismo, atravessando a epiderme e a derme, e entrando na circulação sanguínea através dos vasos capilares. Nos consultórios, eles já são usados nos tratamentos de reposição hormonal, e em pacientes com insuficiência coronária.
O Nitradisc, para dilatar as coronárias, foi o primeiro adesivo transdérmico que apareceu no mercado brasileiro, há aproximadamente 10 anos. Mas já não é tão indicado pelos médicos. O remédio vai sendo liberado aos poucos e mantém o nível circulatório bastante bom. Mas descobriu-se que ao invés de dar uma proteção de 24 horas, ele vai reduzindo o efeito. Hoje, quando prescrevemos o adesivo, recomendamos colocá-lo às 8 horas e retirá-lo às 22 horas, complementando a dose diária necessária de nitrato com um comprimido via oral, explica o médico cardiologista José Eduardo de Siqueira, que prescreve o Nitradisc para apenas 10% de seus pacientes.
ArquivoSegundo a ginecologista Olívia Nassif Fernandes, os adesivos fazem com que a dosagem do medicamento se mantenha constante
Menopausa No tratamento de reposição hormonal, no entanto, o adesivo transdérmico é amplamente utilizado. Com doses variadas de progesterona e estrógeno, associadas ou não, os patches são indicados para as mulheres com queda do nível de hormônio no sangue - um desequilíbrio comum durante a menopausa. É uma das melhores vias de medicação, principalmente para pacientes com problemas gástricos, intolerância a remédios por via oral e para aquelas que se esquecem de tomá-los, diz a médica ginecologista Olívia Nassif Fernandes.
Segundo ela, a principal vantagem do adesivo é a absorção constante. A dosagem do medicamento é mais uniforme. Com os comprimidos, o nível de hormônio fica oscilante, esclarece. Cerca de 40% das pacientes que fazem a terapia de reposição hormonal com Olívia usam o adesivo transdérmico. A maior resistência das mulheres aos patches está relacionada ao fato de eles ficarem à mostra, apesar de serem praticamente transparentes e colocados em lugares estrategicamente escondidos pelas roupas. Elas acham que o adesivo é uma marca registrada da menopausa. Não querem que o marido veja, conta.
Warren NabucoAdesivo transdérmico de reposição hormonal: amplamente utilizado
Antes de prescrevê-los, a ginecologista leva em conta o check-up ginecológico de cada mulher. Para as histerectomizadas - sem útero - o adesivo é a minha primeira escolha, mas não existe um padrão de mulher para cada tipo de reposição. A paciente precisa ser analisada e ter um acompanhamento médico constante, diz.
As doses disponíveis no mercado - de 25, 50 e 100 miligramas - são indicadas de acordo com a idade, com a fase em que a mulher se encontra (pré-menopausa, menopausa, pós-menopausa imediata, pós-menopausa tardia ou senilidade) e com o resultado dos exames de cada uma. A mais utilizada é a de 50 miligramas. Alguns patches são trocados a cada dois dias; outros, uma vez por semana. O adesivo deve ser usado da cintura para baixo, não pode ter contato com a mama, porque a absorção do estrogênio pelo parênquima mamário é prejudicial, ensina Olívia. As regiões mais indicadas são o abdome e o bumbum. A ginecologista recomenda mudá-lo sempre de lugar a cada troca para evitar irritações e alergias. O adesivo transdérmico não é indicado para as mulheres com pele muito oleosa, porque dificulta a aderência.


