O primeiro dia de aula é uma data marcante para a criança e toda a família. A expectativa é grande e requer dias ou até meses de preparo. Após efetuar a matrícula, os pais se empenham para providenciar os materiais necessários, adquirir o uniforme e organizar a nova rotina. Mas é preciso ir além. Não basta apenas preocupar-se com as questões práticas, é necessário preparar também o lado emocional. Os sentimentos de ansiedade e insegurança tomam conta dos pais e da criança, que pela primeira vez terão de se 'separar'.
Por isso, os primeiros dias podem ser marcados por muitas lágrimas. Não é raro uma criança chorar na porta da escola, não querer sair do colo da mãe, apresentar resistência diante dos professores e funcionários. A cena é mais comum durante o período de adaptação no berçário e na Educação Infantil. E os pais devem estar preparados para enfrentar essa fase, transmitindo segurança e tranquilidade.
''Se a ansiedade e a angústia dos pais são equilibradas, tudo será melhor e em pouco tempo a criança estará totalmente adapatada ao novo meio, desfrutando da companhia dos professores e colegas'', afirma a pedagoga Ana Paula Malvezzi Gois, coordenadora do berçário do Colégio PGD, que atende mais de 40 crianças entre quatro meses e dois anos de idade.
Ela ressalta que o período de adaptação pode durar até quinze dias. Durante esse tempo, é normal a criança chorar no momento em que tem de se separar dos pais. ''Por mais difícil que seja, mesmo que esteja chorando, é preciso deixá-la'', orienta Ana Paula, ressaltando que alguns pais também choram e acabam tendo sentimento de culpa. Nesse momento, é importante conversar também com o adulto, mostrando que é uma fase normal e necessária para o desenvolvimento seguro da criança.
Nos primeiros dias, os pais podem até entrar na escola, pois a adaptação deve acontecer de forma gradual. No início, a criança não precisa ficar o período todo, mas é importante que compareça algumas horas todos os dias. ''A fase de adaptação é vivida de forma diferente pelas famílias e pelas crianças. A maneira como os pais encaram essa 'separação' contribui diretamente para o sucesso ou não desse momento'', enfatiza.
Para facilitar o processo, o adulto deve conversar previamente com a criança, explicando que ela irá para a escola e que ficará com as professoras e colegas. Palavras de estímulo e conforto são sempre válidas. Mas é fundamental dizer sempre a verdade. A coordenadora do PGD acredita que levar a criança para visitar a escola antes de deixá-la definitivamente pode ser uma medida interessante. ''Com isso, ela conhece o ambiente e as pessoas com as quais irá conviver com mais calma'', observa.
Para Daiana Ribeiro Silva e Souza, coordenadora de ATR (Atendimento de Pais e Responsáveis) e orientação disciplinar da Educação Infantil ao 5º ano do Colégio Maxi - que atente crianças a partir de dois anos e três meses - a adaptação depende de alguns fatores, como a trajetória acadêmica e o seu histórico familiar. Por isso, de acordo com ela, é sempre importante conhecer a experiência de vida do novo aluno para intervir adequadamente. ''Na escola a criança vai enfrentar uma nova situação no que diz respeito à organização de tempo, espaço e referência de adulto. É um processo de contínua mudança, crescimento, desenvolvimento e amadurecimento'', aponta.
De acordo com ela, a criança e a família devem encontrar na escola um ambiente saudável e confiante, o que exige um trabalho planejado. A equipe do Colégio Maxi organiza algumas atividades voltadas para as crianças participarem com os pais nos primeiros dias. ''Além disso, marcamos uma data para a família conhecer a professora antes do início das aulas. Nesse momento, procuramos orientar sobre a fase de adaptação'', pontua.
Daiane destaca que somente se a criança chorar excessivamente a escola orienta os pais a levarem-na embora para que o momento não seja muito traumático.

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