A escolha certa
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Vivian Fukushima<br>Reportagem Local 
É comum adolescentes admirarem o sucesso profissional de um adulto. E quando esse adulto é seu pai ou sua mãe, a admiração é ainda maior. Foi o caso do estudante Rodolfo Uso Delduca, 24 anos, que, na época de prestar vestibular, em 2004, optou pelo curso de Engenharia Elétrica, a mesma profissão do pai. "Eu pensava que ao me formar trabalharíamos juntos. Porém, ao iniciar o curso, vi que não era bem o que eu imaginava", conta. Assim que Rodolfo decidiu parar, ainda no primeiro ano, foi conversar com os pais, que o orientaram a desistir do curso somente quando soubesse qual o outra área que gostaria de seguir. A resposta veio no final do terceiro ano de faculdade: Relações-Públicas. "Quando tive certeza, larguei a engenharia. Eu me vejo trabalhando melhor com pessoas do que com máquinas", afirma Rodolfo que hoje está no 3º ano do curso.
Para Lorena Ferracini, psicóloga educacional, esse comportamento é bastante comum entre os jovens. "O adolescente costuma admirar certas pessoas, e a tendência é imitá-las", diz. Ela acrescenta que é comum o adolescente, na hora de optar por uma carreira, levar em consideração, além da influência familiar, a remuneração, o prestígio da profissão, entre outros. "Hoje, para os estudantes, o dinheiro é o mais importante. Do total de alunos que atendo, 40% optam por profissões que tendem a ter uma boa remuneração, como Medicina e Engenharia; 40% vão pela vocação e 20% por influência, tanto familiar quanto da mídia", diz a psicóloga.
"Muitos alunos confundem padrão de vida com qualidade de vida. Eles buscam só o sucesso financeiro e esquecem que ganhar bem não é sinônimo de realização profissional", afirma Miguel Afonso Vargas, diretor e professor de química do Colégio Ateneu. Ele alerta também para o fato de os pais, no afã de buscarem sempre o melhor para os filhos, acabarem impondo certas profissões que nada tem a ver com os jovens. "Muitos pais projetam nos seus filhos os sonhos que eles não conseguiram realizar. Por isso, sem querer, ou muitas vezes até querendo, impõem nos adolescente essa vontade", diz.
Sem dúvidas
No caso das estudantes Carolina Fernandes Tridapalli, 17 anos e Ana Luísa Casaroli da Costa Branco, também de 17 anos, ambas do Colégio Universitário, a certeza da carreira a seguir as acompanham há algum tempo. Ana Luísa quer ser jornalista, e desde o final do ano passado procura saber mais a respeito da profissão. "Comecei a prestar mais atenção nos noticiários, revistas e jornais e cada vez mais minha certeza em relação a essa profissão aumenta", diz. No entanto, a estudante afirma que teve dúvidas antes de fazer a escolha certa. "Até o ano passado ainda pensava em fazer algo na área biológica, mas conversando com profissionais e professores acabei mudando de idéia", diz.
Já Carolina sabe a profissão que quer seguir desde os 12 anos de idade. "Sempre soube que queria Medicina, tenho paixão por essa profissão", garante. Porém, a adolescente confirma que muitos de seus colegas veem a profissão como um meio mais fácil de ganhar dinheiro. "Para mim, Medicina é muito mais que isso. É a minha primeira grande escolha e tem de ser bem feita, sem levar em consideração apenas dinheiro e prestígio", acrescenta.
Para a psicóloga, o mais importante na hora de escolher a profissão é o autoconhecimento. "Os jovens não se conhecem o suficiente. Saber do que gosta, ou não gosta, as características, tudo isso é fundamental na hora de optar por uma carreira profissional". Outro ponto destacado por Lorena é a importância de o jovem saber que a escolha não é definitiva. "Claro que é melhor escolhermos de primeira a profissão que seguiremos na vida. Porém, decidir mudar no meio do caminho não é motivo para desespero. O importante é ir atrás do que quer e gosta de fazer", diz.


