A escolha certa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de maio de 2002
Célia Guerra 
Cores, modelos, materiais diferenciados, muitas funções e marcas. A variedade de opções de calçados esportivos no mercado pretende atingir a todos os amantes das atividades físicas ou mesmo quem procura apenas a melhoria da qualidade de vida. Tem calçado com apito para quem precisa pedir socorro, com dispositivo eletrônico que conta os passos e calcula o tempo, a velocidade, a distância percorrida, entre outros. Há os que oferecem amortecimento em forma de mola, ou ainda aquele modelo para quem pratica esportes aquáticos com escaladas que, além da aderência nas rochas, oferece vazão para a água.
Mero capricho de pessoas exigentes? Talvez, mas tal qual a importância da adoção de uma atividade física está a escolha de um calçado adequado para a sua prática. Os professores do Centro de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Luiz Cláudio Reeberg Stanganelli e Antonio Carlos Dourado alertam que o calçado deve oferecer principalmente uma boa capacidade de amortecimento de impactos. Isso porque a cada toque no solo o pé sofre uma pressão de maior ou menor intensidade. Quando corremos, os pés perdem momentaneamente esse contato, o que provoca impactos mais intensos, explicam. A ausência de algum tipo de amortecimento pode, aos poucos, provocar danos nas articulações do corpo.
O resultado disso, segundo o médico ortopedista Marco Antônio Batista, que é especialista em membros inferiores, são dores nos pés, nos tornozelos, nos joelhos e na coluna. Há casos em que as lesões chegam a formar uma Fasciite Plantar (popularmente conhecida como esporão de calcanho) e lesões no Tendão de Aquiles, destaca. A caminhada, de acordo com o médico, provoca impactos menores, por isso, as lesões podem demorar mais tempo para surgir. Já nas corridas o efeito é mais forte, assim, os problemas podem aparecer mais rapidamente. Há tratamento para essas doenças, apesar de elas provocarem um certo desconforto, observa.
A musculatura mais desenvolvida das pessoas jovens, de acordo com Marco Antônio, garante parte da proteção exigida pelo corpo. Já nas pessoas idosas, o cuidado deve ser ainda maior, pois a musculatura está mais flácida e a segurança é menor.
A indústria, segundo os professores Luiz Cláudio e Antonio Carlos, investe há alguns anos, em pesquisas sobre a biodinâmica do calçado. Esses estudos se intensificaram desde o início dos anos 70. A UEL participa de pesquisas nessa área, através da Rede Cenesp Centro de Excelência Esportiva, espalhada por nove universidades brasileiras, com coordenação da Diretoria de Tecnologia da Secretaria Nacional de Esporte. Assim, o mercado oferece modelos específicos com a proteção exigida para a prática de cada tipo de esporte.
Mas não é preciso ir para a academia com uma sacola repleta de tênis. Os especialistas consultados dão algumas dicas: eles devem ser confortáveis, ter solado flexível que acompanhe o movimento dos pés, e possuir amortecedores para o calcanhar. Os tênis de solados baixos, cheios de frufrus impostos pela moda, são excelentes para passeios nos shoppings ou no calçadão, afirmam os professores.
O ortopedista completa dizendo que para exercícios aeróbicos em academias, o contraforte do calçado (parte traseira) deve ser mais rígido pois a atividade promove mudanças rápidas na direção dos pés. Dê preferência aos calçados de cano médio, como botinhas, pois evitam entorses e lesões nos tornozelos, finaliza.
Outra orientação dos professores Luiz Cláudio e Antonio Carlos, refere-se aos os tênis utilizados pelas crianças durante as aulas de educação física na escola. Pela pouca frequência e o tempo exigidos por esta disciplina, os professores dizem que o uso de um calçado confortável e com solado macio é suficiente. Quando a criança participa de uma atividade física extracurricular, aí sim é necessário um tênis adequado, frisam.
Ficha técnica:
Fotos: Mário César
Modelo: Yuri Bernardi/Studio Desirée Soares
Agradcimento: Bolivar Sportswear


