''Os jovens de hoje são indizivelmente frívolos, não respeitam os mais velhos''.
''Bom seria se os jovens dormissem dos 16 aos 23 anos; não causariam tantos problemas aos adultos''.
As frases, por mais atuais que pareçam, foram ditas respectivamente pelo filósofo grego Hesíodo, no século 8 a.C., e pelo escritor Willian Shakespeare, que viveu de 1564 a 1616. Elas demonstram que a preocupação com a adolescência não é recente e já atravessa milênios. O novo no assunto são as mudanças culturais, as influências da mídia, as ''facilidades'' permitidas pela modernidade, que agravaram os problemas.
A busca de soluções que minimizem os conflitos têm mobilizado até mesmo a escola, a quem muitos pais repassaram o dever da educação integral dos filhos. O Colégio Maxi vêm desenvolvendo desde o ano passado a Oficina de Pais, com o objetivo de orientá-los nesse processo. A idéia, segundo o diretor geral Virgílio Tomasetti Júnior, não é nova mas se torna inédita por não ter vínculos religiosos. Tomasetti cita dois programas desenvolvidos por instituições religiosas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Os resultados, apesar do pouco tempo, já são percebidos no comportamento dos adolescentes na escola.
As oficinas são desenvolvidas pelo hebiatra especialista em adolescentes Walter Marcondes Filho e a psicóloga Antônia Mara Tomasetti Marcondes, que resumem o trabalho como um meio de conscientizar os pais de que ''precisam aprender e rever a educação dos filhos''. Temas como a sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis (DST), discriminação, violência, rendimento escolar, são tratados dentro de dinâmicas que mostram aos pais que eles já passaram por situações parecidas.
''Quem está falhando não é o jovem. Ele depende da família para sobreviver na sociedade'', afirma Marcondes. A terceirização da educação dos filhos para a escola e a falta de diálogo são, para o hebiatra, os principais responsáveis pelos atuais conflitos da adolescência.
A geração de pais que veio de uma educação repressora, segundo ele, tenta fazer com os filhos o oposto. E a falta de limites forma tiranos. ''Vivemos hoje o filharcado''. E aqui aparece outra confusão no processo de educação: a omissão do pai. Marcondes afirma que o casal tem papéis bem diferenciados no ''cuidar bem dos filhos''. A mãe é simbolo de carinho, sensibilidade, diálogo, cuidados pessoais. Cabe à figura paterna a determinação das ''leis'' no ambiente familiar. ''Num lar onde há regras e limites, meio caminho foi andado'', observa o médico.
Mães separadas ou solteiras têm para Marcondes, condições de assumir os dois papéis. Mas é preciso substitutos para a figura masculina, seja ele o avô ou o tio.
Na opinião de Marcondes, a escola pode até substituir parte da responsabilidade dos pais, mas não cria filhos. A formação humana, informa, cabe em 70% à família; o percentual da escola é de 15%. ''Investir na família traz muitos frutos'', conclui. n

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