A vontade de aprender mais sobre a profissão e, ao mesmo tempo, ter a oportunidade de conhecer outro país, língua e cultura, são os principais motivos que levam jovens universitários a participar do programa de Estágios Remunerados no Exterior. Para as empresas que recebem esses estudantes, a expectativa também é de aprendizado, com a troca de experiências e tecnologia, e a oportunidade de praticar o inglês. Em Londrina, pelo menos três jovens, da Alemanha e da Espanha, aproveitam a experiência e fazem estágio em empresas locais.
O estudante de Engenharia Civil, Bertram Kaufmann, de 27 anos, veio de Berlim, na Alemanha, há cerca de um mês e está acompanhando algumas construções de prédios da Plaenge Engenharia. Para ele quase tudo é novidade, inclusive a língua, já que chegou aqui falando só inglês. Mas, em apenas um mês, ‘‘Bert’’, como é tratado pelos colegas, já consegue conversar em português. ‘‘Ele aprende rápido, a dificuldade é de alguns termos técnicos da profissão’’, elogia o engenheiro Rogério Iwankew, que o acompanha no estágio de dois meses.
Para o universitário, que queria ir para algum país da Ásia, Austrália ou América do Sul, e já fez estágios na Alemanha, o Brasil tem sido uma boa experiência. ‘‘O povo aqui é muito extrovertido e hospitaleiro, é mais fácil conhecer pessoas e fazer amigos. O estágio também é diferente, aqui é mais tranquilo, não tenho que trabalhar com as mãos’’, afirma. O engenheiro Sérgio Sorgi, supervisor de estágios na Plaenge, explica que na Alemanha os estagiários de Engenharia ‘‘põem a mão na massa’’ e trabalham como operários. ‘‘Acredito que ele está aprendendo bastante porque está acompanhando as várias fases de uma obra, e aqui nós temos o mesmo nível de tecnologia de outros países do mundo’’, diz.
Feijão e arroz todo dia A estudante de Turismo, Beatriz Ferri Navarro, de 22 anos, veio da Espanha, da cidade de Valencia, há cerca de um mês. Entre as outras opções para estágio, no México, Argentina e Colombia, ela escolheu o Brasil, e, em Londrina, faz estágio de dois meses no Aeropark Hotel. ‘‘Apesar da minha área não ser hotelaria, estou aprendendo bastante porque no primeiro mês fiquei uma semana em cada departamento do hotel’’, explica. Ela passou pelos setores de supervisão de limpeza e arrumação de quartos, alimentação e bebidas, e recepção, até chegar ao departamento de administração, com o qual mais se identificou.
No último ano de Turismo, Beatriz já cumpriu todos os créditos da faculdade e agora pretende fazer, como trabalho de conclusão, uma pesquisa sobre aproveitamento de lagos e seu potencial turístico. ‘‘Gostaria de fazer essa pesquisa no Chile’’, afirma. A estudante não gostou do que viu, em Londrina, no Lago Igapó. ‘‘Fiquei muito braba (sic), aqui não se presta atenção suficiente aos recursos naturais, tão valiosos. É fundamental um plano para tratamento e reciclagem de resíduos’’, diz. Em compensação adorou a arborização da cidade. ‘‘A vista do meu quarto é linda, quando cheguei não esperava ver tanto verde em meio aos prédios’’.
Mesmo falando espanhol, que tem a mesma raiz latina que o português, ela teve algumas dificuldades por causa da língua. ‘‘As pessoas começaram a me chamar de Bia e eu achava que não conseguiam pronunciar meu nome corretamente, meu sotaque também é muito marcado e, às vezes, as pessoas não conseguem entender o que eu falo’’, explica a estudante que fala espanhol, catalão, alemão, francês e inglês. De acordo com ela, seu apelido na Espanha é ‘‘Bea’’.
A adaptação à comida, aos horários das refeições e ao clima, também foram motivo de dificuldades para Beatriz. ‘‘Num dia faz frio, no outro faz calor, quando não é tudo isso no mesmo dia. Também não me acostumei com a comida, emagreci 5 quilos. Lá, a gente come alimentos mais leves e mais vezes durante o dia. Também acho estranho comer arroz e feijão todo dia’’, afirma.
Rodapé e esquadria Para a alemã Alice Struck, de 26 anos, da cidade de Dornach (sul da Alemanha), os ‘‘passeios’’ gastronômicos têm sido uma constante. Ela chegou ao Brasil há quatro semanas e faz estágio de dois meses na CN Engenharia. ‘‘Feijoada, doces, frutas, de tudo eu gostei, e mais ainda de maracujá e festa junina’’, afirma. A estudante de Engenharia Civil e Arquitetura já aponta as diferenças em projetos de casas brasileiras e alemãs: ‘‘Aqui as casas são menores e tem as paredes bem finas, diferente da Alemanha, onde as paredes são mais grossas, por causa do frio’’.
Termos técnicos, como rodapé e esquadria, fizeram com que Alice e a engenheira civil Paula Dale Vedover, que a acompanha no estágio, não se entendessem em língua nenhuma. ‘‘Quando ela chegou, não falava nada em português, foi uma oportunidade para eu praticar o inglês. Mas alguns termos nem eu e nem ela sabíamos em inglês, e de alemão não sei nada’’, conta Paula. Depois que acabar o estágio, no início de setembro, Alice pretende conhecer melhor o país e programa viagens para Curitiba, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasília e Recife, para depois conhecer a Argentina. •

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