Houve um tempo em que as aulas de educação física eram o terror de muitos alunos. Aqueles que não possuíam habilidades com o futebol, vôlei, basquete e handebol sofriam com a exposição de suas fraquezas e com a gozação dos amigos. Isso sem falar do suor que incomodava todo mundo quando era preciso voltar para dentro da sala de aula depois de correr e pular.
Com a modernização do ensino e a busca constante das escolas pela motivação dos alunos, alguns colégios estão tentando mudar a relação dos estudantes com o esporte. ''A aula de educação física antes era considerada como de segundo plano, sem muita importância. Hoje, ela é prioritária porque sabemos de sua necessidade para a saúde das crianças e adolescentes, que muitas vezes vivem em apartamentos e passam o dia em frente do computador ou tevê'', comenta a diretora da escola O Peixinho, Márcia Zoega de Carvalho.
''O principal ganho da prática de exercícios físicos é a vivência motora, onde o aluno ganha equilíbrio, coordenação, lateralidade. Nos esportes coletivos tem também a convivência com o outro e a competitividade. Mas alguns alunos não gostam de se expor, de competir, de suar. Para eles, as aulas de educação física são terríveis'', diz o coordenador do complexo esportivo do Colégio Maxi, Jefferson Lamberti.
Nas duas instituições, os estudantes, desde o ensino fundamental, têm muito mais do que simplesmente aulas de esportes coletivos comuns. No O Peixinho, os pequenos dançam, aprendem coreografias e brincadeiras comuns como amarelinha, corda, vivo ou morto. ''Eles escolhem as músicas, os jogos e são sempre motivados a participar. Mas o contato com esportes como vôlei, basquete ou futebol também acontece'', afirma Márcia.
No Maxi, a educação física tradicional ainda existe na grade curricular, mas os alunos têm natação, karatê, ginástica olímpica, academia e escolinhas de futebol, basquete e vôlei como atividades extras. ''A partir do ano que vem, todos esses esportes irão substituir a educação física tradicional para os alunos do ensino médio. Eles poderão escolher qual modalidade preferem e praticá-la no contra-turno em horários variados. Nossa intenção é tornar as aulas mais agradáveis e facilitar a rotina deles. Mas a obrigatoriedade de presença e as notas continuam existindo'', explica o diretor administrativo-pedagógico do colégio, Ubiracy D'Andrea.
A opinião dos alunos A aprovação por parte dos alunos é integral. A estudante da 8 série do Maxi, Natália Scaniero Boy Sardinha, 14 anos, faz aula de musculação, power jump e karatê na escola e vê várias vantagens. ''Por ser tudo aqui dentro, os pais ficam mais tranquilos. Também tem o fato de alguns alunos não serem bons em determinados esportes e terem de aguentar os outros tirando sarro. Com esse novo enfoque, eles podem escolher uma aula em que eles sejam melhores'', diz.
Para a aluna da 4 série do ensino fundamental do Maxi, Ana Paula Torrecillas Gil, 10, as atividades extras são mais interessantes do que a aula de educação física. ''Se pudesse, eu faria só natação e ginástica olímpica porque sou melhor nelas'', garante. ''Prefiro o karatê mais que as aulas de educação física porque é mais fácil e divertido'', comenta Vinícius Augusto Favoretto, 10 anos, aluno da 4 série do Maxi.
''Já fazia karatê fora da escola e agora faço aqui. Mesmo que eu lute com os meninos o professor não deixa a gente se machucar. Eu prefiro karatê porque me exercito mais do que nas outras aulas'', lembra a aluna da 2 série, Ana Tereza Barreto de Oliveira, 8 anos. ''Faço ginástica olímpica há um ano e escolhi porque achei que seria legal fazer os movimentos. Poder escolher um exercício para fazer é bom porque eu não gosto de futebol e queria não precisar fazer aula'', completa Giovanna Fávaro Gouvea, 10 anos, aluna da 4 série.
Para os alunos do O Peixinho, a agitação das aulas de educação física tornam a disciplina uma das mais queridas. ''É minha aula preferida porque é animada, tem música, brincadeiras'', afirma Ana Julia Moro Brene, 10 anos, aluna da 4 série. ''Adoro a aula porque gosto de esportes e acho mais legal do que ficar dentro da sala'', explica João Felipe Guapo Pasquini, 10 anos, aluno da 4 série.
A mudança nas aulas já foi percebida pela diretora da escola, Márcia Zoega de Carvalho. ''Antes, quando a educação física era tradicional, apenas 40% dos alunos gostavam da aula. Hoje, ela é uma das mais esperadas e os alunos nunca faltam'', garante. ''As atividades extras sempre tiveram boa procura dos alunos. Queremos que eles busquem saúde acima de tudo, sem precisar ser comparados com ninguém'', diz o diretor do Maxi, Ubiracy D'Andrea.

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