Dor no ombro não é uma doença nova, mas voltou a ser lembrada depois que a reclamação veio de um paciente que é a principal autoridade do País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de um período de tratamento com acupuntura, Lula voltou a se queixar nesta semana de dor no ombro, submetendo-se ao exame de ressonância magnética para avaliação. Disse, brincando, que está procurando uma vacina para acabar com o problema.
A doença é mais conhecida pelo nome genérico de bursite, mas muitos especialistas preferem chamá-la de síndrome do impacto. O ortopedista e fisiatra Jonas José Blanco, de Londrina, que é especialista em cirurgia do esporte (ombro e joelho), explica que a bursite é uma inflamação que ocorre na bursa ou bolsa, que fica entre o osso e o tendão, atingindo pessoas mais jovens. Essa bolsa contém um líquido seroso e tem a função de auxiliar os movimentos do corpo, evitando atritos entre os ossos.
Essas bolsas são encontradas nas articulações de todo o corpo, inclusive em cada nó dos dedos. ''Em cada mão, temos 14 bursas, assim como em cada saliência entre a coluna e a pele. É uma espécie de defesa do organismo'', completa Osmar Camargo, ortopedista do Hospital Samaritano e diretor médico da Santa Casa, ambos na capital paulista. A maioria das bursites ocorre nos ombros, mas também pode afetar joelho, cotovelo, região dos quadris e calcanhar.
Por volta dos 40 anos, o envelhecimento natural do organismo vai provocando o enfraquecimento de músculos e tendões, além do surgimento de outros males como o bico de papagaio, agravando o problema. Aí, de acordo com Jonas Blanco, essa inflamação passa a se chamar síndrome do impacto. Em situações mais críticas pode ocorrer até mesmo o rompimento dos tendões. Ela pode afetar qualquer pessoa, mas a maior incidência é nas que exercem mais atividades com os membros superiores, como quem pratica natação, basquete, vôlei.
Movimentos repetitivos também podem ocasionar o problema. ''O atrito contínuo e o excesso de uso podem causar a síndrome, lesando os tendões do manguito rotador (nome dado ao conjunto de músculos e tendões do ombro) '', explica Osmar Camargo. E, segundo o especialista, a dor é semelhante a uma tendinite. ''Quando um grupo muscular trabalha mais do que outros causa um desequilíbrio e, também, pode criar um esporão no osso do ombro (acrômio) que irá ferir os tendões'', conclui.
Jonas Blanco diz que o tratamento é personalizado: ''Cada caso precisa ser estudado sob vários aspectos'', observa. A identificação da doença, em 80% dos casos, é feita através de testes clínicos, a radiografia é mais um aliado. Se necessário, o médico pode ainda contar com outros exames de maior complexidade como ressonância magnética. O médico londrinense informa que a maioria das pessoas 70% dos casos é curada com fisioterapia. Há tratamento cirúrgico também, mas esse é o último recurso indicado. Esses procedimentos aumentam o espaço de movimentação das estruturas do ombro, fazendo com que amoleçam e se fortaleçam
A técnica cirúrgica mais atual é a videoartroscopia uma cirurgia sem cortes. Jonas explica que são colocados parafusinhos (âncoras) de onde saem fios que reinseram os tendões no osso. Ele destaca que o tratamento tem uma sequência que não pode ser perdida: consulta, exames, programação fisioterápica, tudo dirigido por um diagnóstico bem feito. ''O tratamento de saúde é uma relação de muita confiança. A integração entre os profissionais envolvidos no tratamento é fundamental'', conclui. n

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