Quando pensamos em receber amigos, fazer uma festa ou recepção, uma das primeiras preocupações que nos vem à cabeça é a comida que será servida. Realmente a alimentação é algo fundamental tanto para nossa sobrevivência como para nossa vida social. As pessoas sempre tiveram o hábito de se reunir para as refeições. Quem não se lembra das orgias alimentares promovidas pelos gregos antigos e retratadas em filmes de época?
Talvez isso aconteça porque comer é algo que, além de necessário, nos dá prazer, até porque compartilhamos esses momento com pessoas queridas. Mas para alguns a comida pode se transformar em distúrbio alimentar. As mais conhecidas são a bulimia e a anorexia, mas já existem pessoas que eram consideradas apenas portadoras de apetite voraz e que, mais recentemente, entraram para o rol dos comedores compulsivos, ou seja, uma doença de fundo emocional.
Diferentemente de quem sofre de bulimia e anorexia, os comedores compulsivos não têm preocupação exagerada e irracional com o peso. Ao contrário, a maioria é obesa 30% dos pacientes que procuram tratamento para emagrecer sofrem do distúrbio sendo que o problema acomete três mulheres para cada dois homens e tem uma prevalência de 2% na população geral.
Identificar o comedor compulsivo não é tarefa fácil. Por vergonha de não conseguir se controlar, ele acaba comendo às escondidas. Além disso, o ele geralmente come rápido ou durante todo o dia. ''Para se considerar um compulsivo, a pessoa precisa apresentar pelo menos duas crises por semana em um período de seis meses. Nessas crises ela come o dia todo ou come demais em alguma refeição. Outra atitude típica é comer muito à noite e preferir sempre alimentos calóricos'', diz a psicóloga Juliana Bisatto Cardoso, que trabalha com pacientes obesos que se submetem à cirurgia de redução de estômago.
Ela explica que a compulsão por comida não é um problema isolado e geralmente está associada a outros distúrbios como um sintoma de algo mais grave. ''Pode ser uma depressão ou uma dificuldade de lidar com algum trauma ou situação complicada. A pessoa sente um desconforto que a comida consegue aliviar. O problema é que depois que come a angústia volta por causa da culpa de ter comido exageradamente'', comenta. ''As causas do comer compulsivo são bastante variadas. Pode ser um remédio que a pessoa está tomando ou problema hormonal. Mas sempre há um fundo emocional'', completa a endocrinologista Marízia Marcos de Souza Dias, que também trabalha com pacientes obesos.
Além do problema estético e sua consequente baixa estima, uma vez que a grande maioria dos comedores compulsivos está acima do peso, a saúde sofre com a maneira desordenada de comer. ''O excesso de alimentação estimula a produção de enzimas digestivas e isso pode levar à gastrite'', diz o gastroenterologista Milton Ogawa. ''Também existem as doenças associadas ao peso, como diabetes, pressão alta, que surgem por causa da mudança no metabolismo'', acrescenta.
Embora seja muito parecido com qualquer outra compulsão, como o alcoolismo, os jogos de azar ou o fumo, esse distúrbio não pode ser tratado como os outros, uma vez que a pessoa não pode cortar a alimentação por completo de sua vida. ''O tratamento é multidisciplinar e exige a mudanças dos hábitos alimentares. Muitas vezes é preciso o uso de medicamentos antidepressivos, mas o acompanhamento psicológico e nutricional, além de exercícios físicos, é fundamental para melhorar a auto-estima e controlar a compulsão'', afirma Juliana Cardoso.


COMO EVITAR A COMPULSÃO

- Não fique muitas horas sem se alimentar. Quando mais tempo sem comida, maior a compulsão na hora de comer
- Faça pelo menos cinco refeições por dia
- Evite comprar alimentos muito calóricos e pouco saudáveis
- Coma devagar e preste atenção a tudo o que come
- Não coma na frente da TV. A quantidade de comida ingerida é sempre maior
- À noite, prefira alimentos leves
- Não desenvolva o hábito de beliscar bobagens o dia todo
- Faça atividade física regular. Exercícios ajudam a controlar a compulsão
- Procure ajuda se perceber que está comendo sem controle

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