A 'difícil vida' do filho do meio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
Eduardo Diório<br> Agência Estado 
O primogênito se acomoda no colo do pai. A caçula no aconchego dos braços da mãe. E o filho do meio? Onde fica? Em alguns casos, exigindo mais carinho e dedicação dos pais e dos irmãos. Quando uma família é composta por três crianças, a história parece ser sempre a mesma: com a chegada do primeiro filho, o casal encontra-se despreparado para cuidar da criança, cercando-a de cuidados. Na segunda gravidez, o filho do meio será por algum tempo o mais novo e desfrutará de vários benefícios. Entretanto, quando surge o outro irmão, ele passa a disputar a atenção concedida pelos pais.
Há inúmeras diferenças no comportamento do filho do meio em relação aos irmãos. Tudo depende da habilidade da família em conduzir a educação das crianças em momentos distintos, evitando a superproteção e o liberalismo a qualquer um dos filhos, afirma a psicóloga Erika Scandalo.
Uma das queixas mais comuns entre os irmãos do meio é que eles não podem ter a independência do mais velho, nem os benefícios do mais novo.
Independentemente do número de filhos, as regras estabelecidas pelos pais devem ser coerentes com a idade das crianças. As comparações que eles estabelecem entre si são aprendidas com os próprios pais, que nos momentos de restrição utilizam-se do exemplo dos outros filhos para justificar uma atitude em relação ao filho que está sendo punido. O ideal é que cada criança seja respeitada em seus limites e o exemplo de conduta não seja dos filhos, mas do casal, completa a psicóloga.
Para a pedagoga Maria Irene Maluf, a questão de ser filho do meio não é um problema. A criança deve ser respeitada por sua individualidade e ter um espaço adequado para colocar seus anseios, sempre estimulada para fazer o melhor, ensina. Erika, no entanto, avisa que é muito comum a criança que mantém uma queixa de falta de carinho buscar em outras pessoas esses benefícios. O grupo social é na escola. É o momento em que eles se envolvem em grupos, às vezes inadequados, defensores das mesmas causas, finaliza.
Simples toques
Quando o filho do meio reclama da falta de carinho, é importante que o casal faça uma avaliação sobre a sua conduta, não só com o filho do meio.
Crianças expressam o que sentem. O carinho não é medido apenas por quem o oferece, mas também por quem recebe. Os pedidos refletem como os filhos estão se sentindo abandonados.
Combine atividades com a família toda reunida e com cada um dos filhos. Além disso, invista em reuniões com cada criança com um dos pais.
O pedido de carinho é a oportunidade de suprir as necessidades afetivas do filho, antes que ele se envolva com indivíduos que supram esse tipo de necessidade.


