Medos e mitos Para Dalmo Ramos, o grande obstáculo para o parto normal é cultural. Isso tanto na formação médica como na formação familiar das gestantes em geral. ‘‘Existe todo um mito em torno dele, de que o parto normal arrebenta a saúde da mulher, dá ‘bexiga caída’, dá problemas com o bebê, que a vida sexual da mulher nunca mais vai ser a mesma, entre outras coisas. O que não é verdade’’, diz.
Problemas de relaxamento da musculatura do períneo (região que compreende o espaço entre o ânus e os órgãos sexuais) podem ocorrer tanto na mulher que faz cesárea, como naquela que se submete a um parto normal e, algumas vezes, até em mulheres que nunca realizaram qualquer tipo de parto. Para evitar isso, existem exercícios específicos, como o da contração perineal, que podem ser realizados a qualquer hora, em qualquer lugar, sem que ninguém perceba. Este exercício é indicado, inclusive, como tratamento para aumentar o prazer sexual da mulher.
O medo do imprevisível também é um item que algumas vezes pesa no momento de a mulher decidir o tipo de parto. Muitas pessoas acreditam que na cesárea os riscos podem ser melhor calculados do que num parto normal, o que não é totalmente verdade. Afinal, o imprevisível é um ingrediente do cotidiano humano em qualquer situação.
A verdade é que o parto natural traz menores riscos em muitos itens: infecção hospitalar, hemorragia e prematuridade (a cesárea, quase sempre é marcada com antecedência). Sem contar que ele permite à paciente menos tempo de exposição no hospital, já que a recuperação nesse tipo de parto é bem mais rápida. E hoje, graças a equipamentos modernos, muitas situações antes consideradas imprevisíveis no parto normal, podem ser calculadas com cuidado. A monitoragem fetal, através do cardiotocografia e a dopplerfluxometria (estudos ultrassonográficos dos vasos sanguíneos do feto e da mãe) são alguns dos exames que auxiliam o médico a realizar um parto natural com mais segurança.
‘‘Indubitavelmente, a cardiotocografia intraparto é um recurso a mais que permite deixar uma paciente evoluir o trabalho de parto sem medo. Através da colocação de um terceiro transdutor no aparelho, é possível monitorar o feto, obtendo dados a todo momento sobre o seu bem-estar fornecidos, por exemplo, por seu pH e por um eletrocardiograma’’, explica.

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