A cura pelo pensamento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Buscar a paz espiritual e a tranquilidade da mente são hoje atitudes tão importantes quanto praticar um esporte e manter uma alimentação saudável. Estudos já comprovaram que a religiosidade ajuda no tratamento de pessoas com diversas doenças e alguns médicos garantem que o estado de espírito influencia na saúde, provocando ou evitando complicações.
Recentemente, a meditação também teve seu valor comprovado pelo NCCAM (National Center for Complementary and Alternative Medicine), ligado ao NIH (National Institutes of Healthy). Similar ao nosso Ministério da Saúde, o instituto americano publicou um estudo classificando a técnica como um procedimento de saúde. Assim, a meditação começa a trilhar os passos da acupuntura que, desde de 1979, é reconhecida pela classe médica e recomendada pela Organização Mundial de Saúde.
Quando esteve no Brasil, em abril deste ano, o líder espiritual tibetano Dalai-Lama defendeu mais estudos sobre o uso da técnica na saúde. ''Pesquisas investigam qual a parte do cérebro é ativada quando se faz meditação unidirecionada, meditação baseada na compaixão ou meditação com ausência de pensamentos. Os neurologistas têm descoberto conexões interessantes entre esses diferentes estados mentais'', disse.
De acordo com a professora de Tai Chi Chuan Noêmia Tanaka Garcia, a meditação ativa os meridianos de energia do corpo e trabalha os mesmos pontos da acupuntura. ''Dessa forma, ela causa um bem-estar emocional, físico e mental. Acredito que a meditação ajuda na cura e na prevenção de doenças. Tenho uma aluna que sofre de fibromialgia e ela tem tido melhoras significativas na dor depois que começou a meditar'', garante.
Com uma técnica de meditação diferente da conhecida tradicionalmente, o Tai Chi utiliza uma sequência de movimentos para auxiliar na respiração e na concentração. ''São 36 movimentos cadenciados e lentos. O aluno é instruído a apenas perceber sua respiração e desligar a mente de qualquer outro pensamento'', ensina a professora.
Ela afirma que, em média, um aluno leva seis meses para conseguir meditar. ''Quando isso acontece, a pessoa se sente em um lugar de luz e paz, além de sentir um calor intenso e prazeroso pelo corpo. Cada horário do dia e cada posição são destinados a ativar a energia de um órgão do corpo. Às três da madrugada, por exemplo, é o horário do pulmão. Dessa forma, é possível trabalhar mais um órgão específico'', explica.
Para realizar a série toda de movimentos, o praticante leva 15 minutos, o que é suficiente para a meditação diária, segundo Noêmia. ''Mas existem pessoas que meditam mais de uma hora ou duas. Se os movimentos parecerem difíceis, dá para meditar sentado, embora seja mais difícil de conseguir a concentração necessária, ou realizando alguma outra atividade, como caminhar. Qualquer pessoa, de qualquer idade, pode meditar.''


