"A criança aprende práticas sexistas e machistas, ela não nasce assim." O alerta é da pedagoga e mestre em Educação Yara Rodrigues de La Iglesia, coordenadora pedagógica do Centro Educacional Marista Irmã Eunice Benato. Segundo ela, é comum no Centro ver os meninos brincando de casinha, enquanto as meninas brincam de carrinho ou mecânica.

"É importante a criança fazer essa troca de papel para a formação dela. Não existem estudos que demonstrem que um menino que brinque com atividades tipicamente de meninas vá se tornar homossexual. Não há relação entre as brincadeiras com a orientação sexual, assim como as roupas rosa ou azul. É comum acharmos brinquedos de kit de limpeza com a cor rosa, como se fosse só para meninas. Os pais deveriam se preocupar com isso, com o tipo de brinquedo que dão para os filhos", alerta.

Segundo Yara, a criança imita o adulto porque quer compreender o mundo adulto. Assim, meninos que brincam de casinha e boneca estão apenas imitando os pais e se preparando para cuidar da sua casa. "Não acredito que seja errado dar vassoura de brinquedo nem para meninos nem para meninas, assim como oportunizar às meninas terem outros tipo de brinquedos, como ferramentas e carrinhos. O menino vai ser pai, vai ter uma casa. As mulheres ainda são a maior influência sobre os filhos. Ela foi educada de forma machista e acha que é biológico um homem não saber passar uma camisa, mas isso é construído", pontua.

Ela conta que como educadora sente dificuldades para comprar materiais que promovam a diversidade, como bonecas de outras etnias. Além de na grande maioria as bonecas serem brancas, muitas seguem o padrão "loira, alta e magra". "Tivemos que mandar fazer as bonecas. Também temos dificuldades para acharmos livros com personagens negros", lamenta.

A pedagoga faz um alerta aos pais: "é preciso dialogar, mas é difícil se você tem preconceitos. A criança aprende pelo exemplo, como você trata o porteiro, quem limpa a casa, as opções que a família faz, os lugares que frequenta." (E.G)

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