A corrente do bem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de abril de 2002
Celso Mattos 
Sem recorrer à definição didática e gramatical do Dicionário Aurélio, podemos dizer que doar é um verbo que significa solidariedade: dar alguma coisa de si a alguém que está precisando. Mas essa doação precisa ser consciente, responsável e voluntária. É nesse tripé que se sustenta a doação de sangue. O problema é que nem sempre é assim. Algumas pessoas usam os hemocentros para saber se têm uma doença grave, com o HIV, por exemplo. O que é um erro, pois essa não é a finalidade da doação de sangue.
A médica hematologista Denise Akemi Mashima, do Hemocentro do Hospital Universitário (HU), ressalta que o doador de sangue precisa ter consciência de que é uma pessoa saudável e que não colocará em risco a vida de outros indivíduos. Ao chegar aqui, o candidato a doador é recebido na recepção, onde são cadastradas informações para sua identificação. Ele deverá trazer a carteira de identidade, informa.
Em seguida, serão avaliadas pressão arterial, temperatura, peso, estatura e se tem anemia ou não. Depois, ele é atendido por um médico que vai avaliar se existe algum risco para ele como doador e para o paciente que vai receber esse sangue, esclarece a médica.
Após a doação, o sangue é submetido a uma série de exames antes de ser liberado para o uso do paciente. Doar sangue não representa nenhum risco de adquirir doenças, garante a hematologista. Infelizmente, segundo a médica, a mesma garantia não se pode dar para o receptor. Ainda existem riscos, apesar de mínimos, de o receptor adquirir doenças quando recebe sangue de outra pessoa, assume.
Para mininizar ainda mais esses riscos, a equipe do Hemocentro do HU trabalha no sentido de estimular a doação de sangue consciente, voluntária e responsável. Uma forma de aumentar a segurança do paciente é privilegiar o doador regular, que faz da doação de sangue um hábito em sua vida, observa.
Ela lembra que na Europa, os jovens esperam completar 18 anos para se tornar doadores de sangue. Aqui no Brasil, eles querem chegar à maioridade para tirar a carteira de motorista. Por isso, nossa intenção é começar a fazer um trabalho nas escolas com as crianças para criar o doador do futuro, observa a médica.
Após a doação, o sangue é separado em quatro componentes: hemácias, para tratamento de anemias; plaquetas, que é usado em sangramentos; plasma fresco e comum o fresco é usado quando o paciente sofre hemorragias, e o comum, em casos diversos. O problema é que as hemácias têm vida útil de apenas 30 dias, e as plaquetas, de 3 a 5 dias, depois precisam ser descartadas; por isso, estamos sempre precisando de doadores, explica a médica Denise Akemi. Ela conta que em Londrina apenas 1% da população é doadora de sangue, enquanto que o ideal seriam 5% para suprir a necessidade dos hemocentros.
O que você precisa saber
Doar sangue não vicia e nem engrossa o sangue.
É fundamental que o doador seja uma pessoa saudável.
O homem pode doar sangue até quatro vezes por ano e, a mulher, até três vezes.
Podem ser doadores pessoas de 18 a 60 anos, com peso superior a 50 quilos.
Em uma doação são retirados de 400 a 450ml de sangue. Cada pessoa tem, em média, cinco litros de sangue no organismo. Por isso, ninguém corre risco de ficar anêmico ao doar sangue. (C.M.)
Exames realizados em doadores
Hepatite B e C
HIV
HTLV I/II
Doença de Chagas
Sífilis
TGP exame enzimático


