A coqueluche do momento
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
Celso Mattos 
A popularização do telefone celular foi mais rápida do que se imaginava. Em pouco tempo, o que era mais um instrumento de comunicação entre as pessoas, virou sonho de consumo de muita gente. Se no início seu uso era restrito ao mundo dos negócios, hoje o celular pode ser visto em qualquer lugar e nas mãos de gente que mal aprendeu a falar. Basta passar em frente a uma escola ou ir ao shopping para ver crianças de posse de um telefone móvel de última geração.
Conforme o tamanho do aparelho foi diminuindo, a idade dos usuários também foi baixando. Primeiro foram os adolescentes que viram no celular uma forma de se tornarem mais populares e de gozar de maior liberdade e privacidade; agora são as crianças que encaram o aparelho como um brinquedo que as tornam mais próximas do sonhado mundo dos adultos.
É o caso, por exemplo, de Stefanie Fonasier, 8 anos, que ganhou um celular quando completou 7 anos. ''É antigo e grande porque era do meu pai, mas o importante é que funciona bem e pode cair no chão que não quebra'', comenta quando alguém se assusta com o seu ''tijolão''. Ela diz que usa o aparelho para bater papo com as amigas e também para chamar os pais quando necessário. ''É mais fácil que usar telefone público ou ficar pedindo para outra pessoa ligar para minha casa'', justifica.
João Victor Medalha, 8 anos, é outro que há um ano entrou no mundo da telefonia móvel. ''No ano passado, meu pai perguntou o que eu queria ganhar de presente de aniversário e eu disse que era um celular''. João garante que usa o aparelho apenas para falar o necessário porque é a mãe quem paga a conta. ''Mas, de vez em quando, eu uso para ligar para meus amigos e convidá-los para sair, mas é coisa rápida'', diz.
Já Gabriel Sitta Bizarro, 12 anos, conta que pediu um celular para os pais porque detesta usar telefone público. ''Quando estou no shopping e quero que minha mãe vá me buscar, o celular ajuda muito. Meus amigos levam o celular para o colégio, mas eu não posso porque lá a gente não pode usar. Se tocar durante a aula, o professor pega e leva para a secretaria, e como eu tenho medo de esquecer ligado prefiro não levar'', diz Gabriel.
Há um ano, Priscila Paiva, 10 anos, divide o celular com seu irmão de 13 anos. Ela garante que não dá briga, mas logo acrescenta: ''Só de vez em quando''. Priscila conta que ela e o irmão usam a mesada para pagar o que gastam. ''Minha mãe paga só taxa''.
Privacidade Mas é entre os adolescentes que o celular ganha um status de instrumento de primeira necessidade. ''O meu fica ligado 24 horas por dia'', afirma Fernando Abujamra, 15 anos. ''Mas não gasto muito porque uso mais para receber ligações'', acrescenta. Ele reconhece que os pais usam o aparelho para vigiá-lo. ''Eles sempre ligam para saber onde, com quem e como eu estou'', afirma. Fernando garante que não costuma desligar o celular quando não quer ser localizado pelos pais. ''Não faço isso e sempre que vou de um lugar para o outro costumo ligar e avisá-los''.
Com seu estilo de garanhão, Felipe Paschoal Zamini, 14 anos, conta que os pais compraram um celular para ele porque não suportavam mais atender os telefonemas da mulherada que ligava para sua casa. ''Agora elas ligam direto para o meu celular e com isso tenho mais privacidade. Além disso, gasto muito pouco porque são elas que ligam pra mim. É uma atrás da outra'', orgulha-se.
Há um ano morando sozinha em Londrina, Paula Rodrigues, 16 anos, diz que ganhou o celular dos pais quando veio de Ivaiporã para estudar em Londrina. ''Fica mais fácil para eles se comunicarem comigo, mas quando não quero ser encontrada eu simplesmente não atendo'', revela. Ela conta que usa o aparelho mais para conversar e marcar encontro com os amigos. ''Não conseguiria viver sem ele'' confessa Paula.n


