A cidade que parece ter saído de um conto de fadas
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Verônica Dantas <br> Agência Estado 
Colmar (França) - Quando soube que um pequeno grupo de brasileiros estava hospedado no mesmo hotel, na alsaciana Colmar, no leste da França, a turista da vizinha Suíça não escondeu o espanto: ''O Brasil é muito, muito longe.'' Seu comentário foi pertinente. Na cidade que parece ter saído de um conto de fadas, não é nada comum encontrar brasileiros entre os franceses, alemães, suíços, belgas e italianos acostumados a visitar o pitoresco lugar.
A presença dos viajantes do Brasil, aliás, não é frequente em nenhuma cidade da Alsácia, região que foi alvo de intensa disputa entre França e Alemanha durante séculos de história e passou definitivamente ao lado francês após a derrota dos alemães na 2 Guerra Mundial. A forte influência germânica, no entanto, permanece intacta, sobretudo na arquitetura e na culinária.
Tanto em Colmar como nas outras cidades da região, comer chucrute é tão normal quanto o nosso arroz com feijão. Os cardápios passeiam tranquilamente também pela sofisticação do foie gras de ganso, uma iguaria típica da Alsácia, e pelas carnes de javali e veado - a caça é permitida ali.
Os alsacianos de toda parte se orgulham da fama que a região ostenta de ser a mais florida da França. Comemoram também que os vinhos e cervejas que produzem estejam entre os melhores do mundo. Mas não gostam nada quando a Alsácia é associada à vizinha Lorena. Geograficamente próximas, as duas regiões têm em comum o fato de terem sido disputadas pela Alemanha no passado, é verdade. Mas nada têm a ver uma com a outra atualmente, fazem questão de esclarecer os moradores.
Pequena notável
Colmar é pequena se comparada à capital regional Estrasburgo, mas tem importância política respeitável, de acordo com o presidente da Associação de Turismo da Alsácia, Jean Klinkert. Com 110 mil habitantes, 60% deles instalados no centro, abriga dois dos 30 restaurantes alsacianos com estrelas no ''Guia Michelin'', referência na gastronomia mundial. A cidade é, ainda, o melhor lugar para se hospedar e fazer bate-voltas às vilas medievais dos arredores, graças à sua boa localização, quase no centro da região. E, como tem apenas 2,2 mil leitos em hotéis, de um total de 50 mil em toda a Alsácia, costuma lotar em dias de folga.
Andar por suas ruas e observar seus canais é como estar dentro de um livro de histórias infantis. A Petite Venise (Pequena Veneza, em português) é, sem dúvida, a parte mais charmosa da cidade. Tudo é caprichosamente enfeitado com flores. Cada janela esconde um detalhe charmoso e cada construção conta um pouco de história.
Foi em Colmar que nasceu Frédéric Auguste Bartholdi, criador da Estátua da Liberdade, um presente da França aos Estados Unidos que virou símbolo americano. O museu que leva o nome do escultor fica no número 30 da Rue des Marchands (musee-bartholdi.com).
* A repórter viajou a convite da Agência de Desenvolvimento de Turismo da Alta Alsácia



