A primeira emoção da futura mamãe acontece já no resultado do teste de gravidez. Ela chora, ri, vibra, sente calafrios. A partir desse momento, a mente viaja para lugares até então desconhecidos. E quando a mamãe acha que já sentiu emoção suficiente ao saber que está grávida, eis que surge o médico e fala: "Parabéns, vocês terão mais de um bebê". Neste momento, felicidade e preocupação são dois sentimentos que se misturam deixando muitos pais sem palavras. Afinal, se um bebê já requer atenção, dois, três ou mais exigem bem mais. Serão fraldas, choros, carrinhos, berços, entre muitos outros gastos multiplicados. No entanto, as recompensas também vêm aumentadas: sorrisos, beijos, carinhos e alegrias.
De acordo com a psicóloga Fernanda Brandão Gonçalves, que inclusive é mãe dos gêmeos Bruno e Pedro, de sete meses, é comum, principalmente para as mães de primeira viagem, pensar que não darão conta do recado e que os gastos irão extrapolar o previsto. "Muitas preocupações giram em torno da futura mãe em relação às mudanças que essa nova vida trará. A volta ao trabalho, a parte financeira, sem contar que quando você anuncia que terá múltiplos, a primeira coisa que se ouve é que será muito difícil. Isso mexe, sim, com muitas mães", explica.
Fernanda afirma também que a principal dificuldade que grávidas de múltiplos passam é logo após o nascimento dos bebês. "A prematuridade é mais frequente nessa gestação, e deixar os filhos no hospital traz muitas frustrações às mães", diz.
Porém, Fernanda explica que essa ideia de que mãe de gêmeos passará por dificuldades dobradas é um mito. "Claro que é trabalhoso, e eu posso afirmar porque tenho dois em casa. Mas quem tem um filho atrás do outro também passa por tudo isso. Tudo depende da rotina que a mulher estabelece". Além disso, segundo a psicóloga, não existe uma regra básica para criar um, dois, três filhos, ou mais, tenham eles nascidos juntos ou com anos de diferença. "Gêmeos ou não, cada filho é diferente do outro e isso deve ser valorizado. Costumo dizer que ter duas ou mais crianças de uma só vez não é que dá mais trabalho, mas requer um investimento de tempo bem maior. Com isso, as alegrias também serão dobradas ou triplicadas", diz.

Pinturas da mamãe
Logo que desconfiou, a fisioterapeuta Alessandra Ribeiro Franco Paleari decidiu fazer um exame que constatou a gravidez. E as surpresas não pararam por aí. "No primeiro ultrassom, o médico disse: "São dois". Fiquei superfeliz, mas foi algo totalmente inesperado, afinal, até então, não tinha nenhum caso de gêmeos na família", conta. A gravidez, segundo Alessandra, foi bem tranquila. "Fiz atividade física a gestação toda e só parei de trabalhar no sexto mês, por recomendação médica. Sem contar que eu amava minha barriga".
Ainda durante a gestação, Alessandra conta que algumas mudanças tiveram de ser realizadas, e o apoio da família foi fundamental. "Tivemos que trocar de carro, comprar um maior. A parte financeira pesa, sim, mas no final as coisas se acomodam".
E no dia 4 de outubro de 2003, os gêmeos univitelinos chegaram. Iguaizinhos. "Até nos gostos são parecidos. Decidimos padronizar a cor azul para o Davi, e o verde para o Leonardo, até mesmo para facilitar a identificação. O engraçado é que até os padrinhos deles não sabem quem é quem", conta.
Segundo Alessandra, que amamentou os meninos até os seis meses de idade, o início foi bastante desgastante, e ela só se sentiu confortável para sair sozinha com gêmeos quando eles já tinham uns dois anos. "Eu achava que não daria conta, porque é impressionante, quando um chora, o outro começa também, se um tem fome, o outro tem também. E até hoje, se um vai ao banheiro, o outro também sente vontade. É uma ligação muito forte".
Hoje, as "pinturas da mamãe", como ela mesma diz, estão com 7 anos, e na melhor fase. "Eles estão mais independentes e ao mesmo tempo bem companheiros. Quando um tem pesadelo vai direto para a cama do irmão e não para a nossa, como é o comum", conta. Alessandra teve que deixar o trabalho para se dedicar aos filhos. "Eu voltei ao trabalho quando os meninos estavam com dois anos, mas eles entraram em um ritmo de atividades extras que ficou complicado. Agora dei um tempo ao trabalho para me dedicar à rotina deles, até que estejam menos dependentes", diz.
E apesar das dificuldades e mudanças, a mamãe se diz orgulhosa dos pequenos e realizada por ter gerado duas vidas. "Foi desgastante, mas as recompensas sempre vieram em dobro. Adoro ser mãe de gêmeos", afirma.

A mãe dos trigêmeos
Se a vinda de duas crianças já provoca muitas mudanças e mexe com a vida das mamães, imagine, então, quando são três. Mas no caso de Gislaine Ardaitz, mãe dos trigêmeos Clara Pilar, Pedro e Arthur, de 3 anos, tudo mudou para melhor. Concebidos naturalmente, Gislaine conta que foi um choque seguido de felicidade quando soube da notícia. "A primeira preocupação foi se meu corpo comportaria três bebês. Queria levar a gravidez até o final, mas sabia que seria difícil. Mesmo assim, eles nasceram com 32 semanas e ainda amamentei os três até os seis meses", conta orgulhosa.
A mamãe afirma que uma das situações mais complicadas que precisou enfrentar foi ter de tomar a decisão de deixar o trabalho em função dos filhos. "Atuava na parte administrativa de uma empresa multinacional, com a carreira em ascensão. Quando eles nasceram, depois de 11 meses de licença, decidi voltar. Foi um choque para a equipe. Todos pensavam que eu não voltaria", afirma. Porém, a rotina agitada em casa fez com que Gislaine abdicasse da carreira para ser mãe. "Era triste deixá-los em casa para ir trabalhar, mas também foi triste deixar o trabalho. Mas sei que fiz a escolha certa".
Na maior parte do tempo, a mãe dos trigêmeos sempre contou com a ajuda de uma babá, mas admite que já ficou sozinha, sem ajuda, e de propósito, para saber se daria conta ou não. "Vi que para tudo dá se um jeito, e que se precisasse cuidar deles sozinha, conseguiria. Mas com o tempo aprendi que aceitar a ajuda de outros não significa não ser uma boa mãe", diz.
E apesar de as crianças terem nascido juntas, uma é completamente diferente da outra. Segundo a mamãe, Clara é determinada e dominadora; Arthur é sentimental; e Pedro, observador. "Eu adoro o fato deles serem diferentes no jeito e na aparência. Com isso, meu poder de persuasão precisa ser muito bem trabalhado, já que o que funciona para um, não dá certo para outro", conta.
Já acostumada com agitação dentro de casa, Gislaine afirma que a vinda dos trigêmeos mudou completamente sua vida. "Depois que as crianças nasceram, perdi minha identidade e virei a mãe dos trigêmeos. Sinceramente? Acho isso o máximo".


Imagem ilustrativa da imagem A chegada dos múltiplos
Gislaine com Clara, Pedro e Arthur: "Perdi a minha identidade e virei a mãe dos trigêmeos"
Imagem ilustrativa da imagem A chegada dos múltiplos
Davi, Alessandra e Leonardo: para saber quem é quem, só mesmo pela cor da roupa