A calça que se transforma
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quinta-feira, 21 de agosto de 2003
Karla MatidaReportagem Local<br> Costureira há cerca de 30 anos, Doralice de Oli 
Karla Matida
Reportagem Local
Costureira há cerca de 30 anos, Doralice de Oliveira um belo dia pegou uma velha calça jeans do filho, desmanchou e usou o tecido para fazer um vestido. Por brincadeira, colocou à venda na varanda da sua casa. Achava que era um mico deixar ali e quando resolvi tirar, apareceu uma moça para comprar, conta Doralice.
Isso aconteceu pouco mais de um ano e meio atrás, e como a propaganda boca a boca ainda funciona em pleno terceiro milênio, ela acabou recebendo muitas outras encomendas. Na clássica história eu vi uma amiga vestindo uma peça sua e gostei, as criações de Doralice foram parar numa passarela, em um desfile durante um chá beneficente promovido por uma cliente. Desde aquela época, as calças jeans não só se transformavam em vestidos, como também passaram a virar também saias, jaquetas, bolsas e até outras calças.
Na platéia do desfile, um olhar atento e profissional notou que as peças eram criativas, mas como eram feitas em máquinas de costura domésticas, perdiam em acabamento. Acostumada a produzir calças jeans em sua facção em Assaí, Lucinéia Valério percebeu no desfile uma oportunidade. Entrou em contato com Doralice pouco mais de um mês depois e lá se vão alguns meses de sociedade. Trouxe algumas máquinas industriais para cá, ela cria e eu costuro, conta Lucinéia, que se mudou para Londrina por acreditar no negócio. Não sei se vamos ficar famosas, mas sei que vai dar certo, garante.
O trabalho das duas é totalmente artesanal. Primeiro começam desmanchando calças jeans que compram novas ou em brechós. Depois partem para a fase criativa: Doralice olha o tecido que tem em mãos e inicia o processo. Pode ser uma perna mais escura do que a outra ou então vários bolsos em lugares diferenciados. Só não pode faltar o charmoso toque final, que são os fios puxados como acabamento de franjinhas. Érica, filha de Doralice, é quem se responsabiliza por essa parte, que exige muitas doses de paciência
A grife da dupla é bem artesanal, mas, além de contar com as máquinas industriais, também possuem modelagem e variação de tamanhos que seguem sempre o mesmo padrão. Tenho um cunhado dono de confecção que nos ajuda com a modelagem, criada pela estilista, avisa Lucinéia.
Todas as peças saem da fábrica-ateliê com etiquetas que levam o nome da grife, Código Genético, já batizada e registrada. A primeira idéia era DNA, por causa de Dora, Néia e Alfa, como tudo começou, mas aí alguém já tinha registrado, lembram as sócias.n


