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sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
Da Redação 
A gravidez não é um fator desencadeante de problemas respiratórios. As gestantes estão sujeitas aos mesmos problemas pulmonares que teriam se não estivessem grávidas. Mas, quando os problemas respiratórios aparecem, eles devem ser cuidados com mais carinho e atenção. Nos casos brandos, é preciso preservar ao máximo a qualidade da respiração da futura mamãe, até para assegurar o pleno desenvolvimento fetal. ''Quando o quadro é muito grave, pode levar à perda do bebê, devido à falta de oxigênio'', alerta a pneumologista do Hospital e Maternidade São Luiz, Iara Nely Fiks .
Segundo ela, as transformações hormonais trazem mudanças na maneira de respirar e levam a futura mamãe a ter uma respiração mais rápida e mais curta. ''Isto porque o revestimento do nariz da grávida fica inchado, causado pela alterações hormonais (rinite vasomotora da gravidez), que deixam o nariz mais obstruído, igual a rinite alérgica. Com o aumento de peso e do volume abdominal a respiração fica mais difícil e a gestante mais cansada'' explica.
Evitar remédios As queixas respiratórias nas gestantes devem ser adequadamente valorizadas e corretamente tratadas ou controladas. De acordo com a pneumologista, pequenas quedas no oxigênio materno podem significar grandes problemas para o feto. ''Cada doença pulmonar durante a gestação deve ser tratada de modo específico, conforme os estudos a ela direcionados, visando sobretudo a preservação da saúde da mãe e do bebê'', ressalta.
A grande preocupação com relação à aplicação de tratamentos médicos neste período deve-se ao uso de medicamentos, que resulta em várias restrições. ''Porém, não podemos esquecer que respirar é fundamental e os sintomas pulmonares não podem ser menosprezados só para evitar o uso de remédios'', alerta a pneumologista.
Atualmente no Brasil encontra-se disponível todo arsenal terapêutico para tratar qualquer doença. ''O que ainda falta é a consciência de um maior intercâmbio entre o pneumologista e o obstetra. No entanto, a melhor prevenção ainda é a divulgação de informações corretas, livres de tabus para as gestantes'', afirma.
Praticamente todas as doenças se manifestam com tosse, produção de expectoração, falta de ar ou cansaço e chiado no peito.
''Podemos dividir em grandes grupos o que seriam as doenças infecciosas agudas, virais ou bacterianas, que são as mais comuns em todas as pessoas, inclusive nas gestantes. Dentre elas, estão as gripes, resfriados, sinusites, faringoamigdalites e a pneumonia. Existem as doenças infecciosas subagudas. No Brasil, é sempre importante lembrar da tuberculose. E dentre as doenças não-infecciosas mais comuns estão as manifestações alérgicas, como a rinite e a asma. Menos comuns são as doenças inflamatórias e neoplásicas (relacionadas a tumores), que podem aparecer justamente na gravidez ou logo depois do parto'', explica Iara. n


