Manequins de cera, na calçada, em plena luz do dia. Eram assim as primeiras vitrines que ditavam a moda nas cidades do sul da França e da Itália, ainda no início do século. Uma iniciativa ainda sem muita criatividade, que lembrava uma feira, mas já despertava polêmica. Principalmente quando o pintor Salvador Dalí deixou de lado as telas para criar arte em forma de vitrine.
‘‘A gente pode dizer que ele foi uma espécie de precursor das vitrines atuais’’, comenta a empresária e decoradora Luz Marina Simonsen. ‘‘Isso porque foi a partir daí que as pessoas começaram a se aprimorar. Elas deixaram a calçada e passaram a estudar uma iluminação melhor. Até porque os manequins de cera acabavam derretendo com a iluminação’’.
Marcos CorazzaO pintor
Cláudio
Tozzi
ao lado
de uma
das peças
feitas
para
O BoticárioE não há como negar que a evolução foi para melhor. Por detrás dos vidros, o que se pode ver hoje são verdadeiras obras de arte, algumas até assinadas por artistas de renome. ‘‘Na Europa e nos Estados Unidos existem designers, vitrinistas e até mesmo artistas especializados em vitrines’’, esclarece Luz Marina. ‘‘Aqui, essa área já está melhorando por causa da facilidade cada vez maior que as pessoas tem de viajar pelo mundo. Mas ainda vai demorar um pouco para se chegar ao que é feito lá fora’’.
O fato é que bem elaboradas ou não, as vitrines influem e muito nos números finais das vendas. Segundo as pesquisas internacionais sobre o assunto, uma vitrine bem-feita é capaz de aumentar em até 70% o lucro de uma loja, enquanto outra malfeita é capaz de empacar qualquer possibilidade de bons negócios. ‘‘É exatamente como diz aquele velho ditado, a primeira impressão é a que fica’’, comenta a empresária. ‘‘É a vitrine que provoca o primeiro impacto’’.
E não é preciso ir muito longe para comprovar a tese. Nos próprios supermercados, a disposição dos produtos nas prateleiras é feita estrategicamente. Produtos à altura dos olhos costumam vender mais.
Marcos CorazzaO artista
plástico
Gustavo
Rosa e
o ensaio
para o
trabalho
da ParkerIluminação e cores Mas, afinal, o que pode fazer com que uma vitrine chame mais atenção do que outra? A charada é simples. Tudo não passa de uma questão de criatividade, aliada a uma boa iluminação, cores que favoreçam o produto e, principalmente, o cuidado para não poluir o visual. ‘‘Às vezes, as pessoas enchem a vitrine de coisas e, ao invés de atrair o consumidor, acabam afastando. Com tantas coisas para ver, ele fica sem uma referência. Por isso, a vitrine tem que ser clean’’, argumenta a especialista.
Vale ressaltar ainda o que se entende por boa iluminação, principalmente quando estamos na onda das chamadas lâmpadas dicróicas. ‘‘Normalmente, as pessoas acham que a luz dicróica ilumina bem e que é mais bonita. Mas, na verdade, ela esquenta muito o ambiente e muda a cor das roupas. Por isso, nem sempre ela é a melhor opção. É preciso contratar alguém que entenda do assunto para não cometer erros’’.
Mauro FrassomA concepção clean de Antonio Peticov para a vitrine da CaloiErros como o da exposição de preços nas liquidações. Para que algo mais agressivo do que os cartazes fosforescentes com números enormes? Ou então os balaios cheios de roupas dos mais diferentes estilos e cores?
‘‘Quanto mais você respeitar o consumidor, melhor’’, alerta Luz Marina. ‘‘Claro que é importante chamá-lo para a liquidação da loja. Mas é preciso ser sutil. Não se pode colocar cartazes escritos de qualquer forma’’. Uma boa opção, segundo ela, são as plaquinhas de acrílico, discretas, mas de boa aparência.
Arte Foi com a idéia de unir a arte ao marketing que Luz Marina, que também já foi decoradora em São Paulo, trouxe para Curitiba, junto com o publicitário Alex Periscinoto, a Terceira Mostra Nacional de Vitrines, que já percorreu algumas das principais capitais do País. A exposição permanece no Shopping Mueller até o dia 15 de novembro, reunindo o trabalho de oito artistas plásticos. O Boticário, por exemplo, patrocina Claudio Tozzi, que pintou o perfume Acqua Fresca. Outras marcas e artistas que participam do evento: relógios Swatch, (Not Vidal); Parker, (Gustavo Rosa); Kodak, (Alex Cerveny); Lacta, (Ivald Granato); Caloi, (Antônio Peticov); Antárctica, (Guto Lacaz); Varig, (Rubens Gershman).Mauro Frassom‘‘É a vitrine que provoca o primeiro impacto’’, afirma a empresária e decoradora Luz
Marina SimonsenVivian de Albuquerque

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