Em plena era digital na fotografia, eis que algo de um passado remoto volta à cena com ares de novidade. O scrapbooking nada mais é do que um álbum de fotografias turbinado com muito carinho e criatividade. ''É um diário ilustrado'', ensina a designer Cibele Yamashita Barbour, que há três meses abriu uma loja-ateliê munida de um enorme ''arsenal''.
São papéis e mais papéis coloridos e estampados, tesouras diferenciadas, carimbos de vários formatos, cortadores de papel inusitados e muitos outros badulaques. O único cuidado na escolha dos materiais é que eles sejam livres de ácido e lígnia. ''Para preservar melhor as fotografias'', conta Cibele. A grande maioria dos produtos ainda é de importados, mas o Brasil já começa a se posicionar no mercado.
De acordo com a designer, o ''scrap'' surgiu nos Estados Unidos, onde as famílias montam seus diários ilustrados antes do nascimento dos filhos e costumam presenteá-los quando eles chegam à maioridade ou vão morar fora. Nas páginas dos álbuns, além das fotos, pequenos textos explicativos e muitos detalhes caprichados. São utilizados desde miçangas a fitas coloridas e miniaturas.
A artista plástica Fabiana Mattos é a professora da Multi Arte de Cibele e incluiu o scrap no seu portfólio de 24 cursos que leciona. ''Qualquer um é capaz de fazer. A habilidade e a criatividade vão se desenvolvendo com o tempo'', garante a professora. ''Para quem está começando há muitos acessórios para ajudar o layout das páginas'', explica Fabiana, mostrando uma régua molde que pode ser usada como uma opção para os iniciantes.
Nas aulas básicas, as alunas aprendem a manusear estiletes são vários tipos , furadores e cortadores de papel em formatos diferenciados. ''Não é preciso comprar o material antes de fazer o curso porque as pessoas primeiro têm que aprender a usar'', diz Cibele, que deixa à disposição da clientela uma infinidade de opções de ferramentas.
Professora do ensino fundamental, Ione Vasconcellos já está mais do que acostumada com tesouras e papéis. ''Mas a gente sempre foi muito arteira'', sorri Ione, que levou para as aulas a amiga dentista Regina Barcellos. ''Nós já fizemos ponto de cruz e bijuteria'', conta Ione, que se interessou pelos diários ilustrados ao ver o trabalho de uma prima paulista. ''Tenho muitas fotografias e sempre organizei em álbuns'', explica a professora, que não só montou scrapbooks para as duas filhas como têm feito quadros para presentear as amigas delas. Tudo isso em menos de dois meses, tempo em que ela e a amiga aprenderam as dicas para trabalhar com papel.
Para a dentista Regina, a novidade ''é uma maneira carinhosa de organizar as fotos'', ensina. ''Também é desestressante porque a gente esquece que o relógio está andando'', conta. Ione concorda e já passou longas madrugadas entre tesouras e papéis. ''Aproveito quando meu marido viaja, aí nem sinto solidão'', explica a professora.
Puxando pelo fio da história, Cibele Barbour lembra que foram as mulheres saudosas que teriam iniciado a arte do scrapbooking nos Estados Unidos. ''Os maridos iam para a guerra (no século 19) e mandavam retalhos de roupa para casa para contar que estavam vivos. As mulheres então guardavas esses pedaços (scraps) em livros (books)'', explica.
''As pessoas estão resgatando a história para passar para os filhos'', avisa Cibele, que acredita que guardar fotos em CDs acaba com as referências. ''Há um pouco de jornalismo também'', completa a designer mostrando álbuns com textos curtos falando sobre viagens, nascimentos e festas. Não por acaso, muitos fotógrafos profissionais a têm procurado para produzir trabalhos para casamentos e festas de 15 anos. As técnicas de scrapbooking também podem ser utilizadas em cartões, quadros e o que mais a imaginação deixar.

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