A armadilha da vaidade
A armadilha da vaidade
O apelo à pele dourada esconde um problema que vem crescendo em todo o mundo. Conseqüência da exposição solar contínua e sem proteção, o câncer de pele é o segundo que mais atinge as mulheres
É simplesmente impossível dissociar o verão da idéia de corpos bronzeados. Principalmente no Brasil, onde o apelo à sensualidade é quase lei e a extensão de praias algumas entre as mais belas do mundo torna o convívio com o sol um dos mais prazerosos programas das férias. O problema é que por trás desse lazer aparentemente inofensivo está um inimigo implacável.
Fonte de vida e saúde por contribuir para a síntese de vitamina D (que ajuda a prevenir a osteosporose e a estimular o psiquismo), o sol pode trazer danos irreversíveis ao organismo se a exposição for feita em horários inadequados e sem proteção. Além das consequências esteticamente indesejáveis, como rugas e envelhecimento precoce, outros danos mais graves podem acontecer. Nas mulheres, a incidência do câncer de pele só perde para o de mama, avisa o médico Otávio Machado de Almeida, da equipe de oncologia cutânea do Hospital do Câncer de São Paulo.
De acordo com ele, as estatísticas da doença não são muito fidedignas no Brasil, mas acredita-se que haja 300 mil casos por ano, incluindo os três tipos de câncer de pele: os carcinomas espino celular e base celular e o mais agressivo e potencialmente mais fatal, o melanoma. No mundo todo, para cada 75 indivíduos, um vai desenvolver melanoma em um determinado estágio da vida, sentencia Almeida.
Geralmente, o problema atinge pessoas de pele, cabelos e olhos claros que, ao se exporem ao sol, ficam vermelhas e nunca se bronzeiam. Mas os morenos e até os negros não estão livres da doença, avisa o médico. Evitar a exposição direta ao sol sem proteção é a melhor forma de prevenir. Mas engana-se quem pensa que basta usar protetor solar nos horários considerados críticos.
Passaram para as pessoas a noção errônea de que o sol do começo da manhã e do final da tarde é permitido. Das 10h às 14h há uma maior quantidade de raios ultravioleta B (UVB), que atingem as camadas superficiais da pele. Mas, hoje, está provado que do amanhecer ao anoitecer há uma chuva contínua e impiedosa de raios UVA, que são os principais causadores do envelhecimento precoce e do melanoma. Sem proteção solar, a pessoa não pode se expor ao sol em nenhum horário, alerta a médica dermatologista Rosa Caland.
Segundo ela, na hora de escolher o protetor solar é preciso ficar atento. Além da conhecida proteção contra UVB, que vem marcada por números, o produto também tem que ter proteção contra UVA, especificada em intensidades baixa, média e alta. Recomendo protetores com FPS 15 e proteção UVA média ou alta, diz, observando que a proteção solar, da infância aos 18 anos, é de extrema importância. É a fase em que o DNA é mais lesado, tornando a pessoa propensa a desenvolver câncer de pele.
César Augusto
Só tomo sol nas férias e procuro evitar os horários perigosos. Pela manhã, fico até às 11 horas, mas às vezes estico até ao meio-dia. À tarde, só depois das 15 horas. Quando fico em horários não recomendados uso um filtro com proteção solar maior que 35 para evitar, principalmente, câncer de pele e envelhecimento precoce. A gente sabe que o risco da doença existe, mas quem não convive com o problema não tem idéia das complicações. Seria interessante ser mais divulgado como é o tratamento e a rotina de quem tem câncer de pele. Assim, a gente pode avaliar as consequências da exposição ao sol. Gilles Dias, 41 anos, professora
Venho ao clube sempre depois das 15 horas e sempre passo filtro solar com fator de proteção 15 no corpo e 30 no rosto. Me preocupo em me proteger do sol porque minha mãe teve que tirar algumas pintas. Vou sempre ao dermatologista porque morro de medo de ter alguma doença. Sou muito branca e só tomo sol para dar uma queimadinha. É a cor do verão, né? Michele Silva, 21 anos, estudante
No verão, procuro vir sempre ao clube. Estou bronzeada assim porque estava na praia. Lá, ficava no sol das 9 horas ao meio-dia. Sempre passo bronzeador com filtro solar 15. Me preocupo com as irritações na pele. Sei que o sol provoca manchas e até câncer. Quando a gente é mais jovem, abusa mais. A meninada só quer saber de ficar bronzeada, mas não sabe que as consequências virão mais tarde. Eu já passei por isso, agora estou mais consciente. Acho que as manchas que eu tenho foram causadas pelo sol que tomei. Vera Luci Barbosa, 45 anos, recreadora
Tomo sol todo final de semana. Por isso estou preta assim. Não passo nada para me proteger. Fico no sol meia hora e já fico pretinha. Não descasco e nem fico vermelha. Já ouvi falar em câncer de pele, mas a impressão que tenho é que se eu usar protetor solar não vou me bronzear. Sei que mais tarde posso ter algum problema. É um risco que estou correndo. Silvana de Oliveira, 22 anos, baby-sitter





