A ameaça do ronco
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quinta-feira, 15 de agosto de 2002
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Um mal tão antigo talvez tenha a mesma idade do surgimento da humanidade , o ronco continua incomodando não só a pessoa que possui o problema, como também o parceiro que dorme ao lado. Ele pode, ainda, levar a uma doença grave, a apnéia do sono paradas respiratórias por mais de 10 segundos que ocorrem durante o sono. Apesar dos avanços da medicina e da tecnologia de tratamento, ainda não há solução para 100% dos casos, já que nem todos os portadores se adaptam ao tratamento.
O médico otorrinolaringologista Marcos Mocellin, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que o ronco atinge praticamente 50% dos homens após os 40 anos de idade. A proporção na mulher nessa faixa etária é um pouco menor, cerca de 30%. Após os 60 anos os índices praticamente se igualam. A doença, como destaca o médico, atinge também as crianças que possuem amígdalas e adenóides grandes.
Boa parte dos adultos roncam ocasionalmente, por cansaço ou excesso de bebida, por exemplo. Mas a obesidade é quase que a principal causadora do problema. ''O pescoço curto, tomado pela gordura, diminui o espaço de passagem do ar'', explica Mocellin.
Cirurgia a laser O otorrinolaringologista Kooki Tan, do Hospital de Otorrino, de Londrina, diz que o ronco é provocado pelo relaxamento da musculatura da boca céu da boca (palato), campainha (úvula), amígdalas , durante a fase mais profunda do sono. Em alguns casos, essas estruturas se aproximam e provocam o fechamento total do ar. Essas paradas respiratórias podem se repetir várias vezes durante a noite sem que a pessoa saiba. ''A apnéia pode provocar graves problemas cardiorespiratórios e até mesmo a morte'', alerta.
A identificação da doença, de acordo com Mocellin, exige avaliação de um especialista através de um exame, a polissonografia enquanto o paciente dorme, são colocados eletrodos que identificam se a pessoa ronca apenas ou se é apnéia. Existem três modalidades de apnéia: leve, moderada ou grave.
No tratamento de crianças, segundo os médicos, a indicação é a cirurgia para a retirada das amígdalas e adenóides. Nos adultos os cuidados exigem mudanças nos hábitos do dia-a-dia, perda de peso, além de tratamentos clínicos, cirúrgicos, ou ainda, o uso de aparelhos.
Entre as cirurgias estão as de redução de tecidos flácidos do palato e campainha, a somnoplastia uma espécie de cauterização na campainha feita através de radiofrequência, e o uso de laser.
A mais eficiente, para Mocellin, é a cirurgia a laser Laup , que permite redução no palato ou na úvula. Ela não exige internação e a anestesia é local. Em alguns casos é preciso repetir o procedimento por mais uma ou duas vezes.
Quando as cirurgias não resolvem, a opção é o uso de aparelhos como os intrabucais e o C-PAP uma espécie de compressor que sopra o ar no nariz impedindo as paradas respiratórias. ''Nem todos conseguem se adaptar ao uso dessas máscaras'', resumem os médicos. n


