A cantora e compositora Nina Simone (1933-2003) costumava dizer que é uma obrigação de todo artista refletir sobre questões do seu tempo. Essa premissa é seguida à risca por Fafá de Belém em seu novo álbum, intitulado "Humana". Nele, a paraense deixa de lado suas habituais baladas despudoradamente românticas para dar voz a temas contemporâneos e urgentes. Munida de um repertório primoroso que inclui canções inéditas de Fátima Guedes, Adriana Calcanhoto e Letrux, Fafá convida o ouvinte a uma viagem introspectiva em busca de delicadezas esquecidas.

Imagem ilustrativa da imagem <span style="color: rgb(0, 0, 0);">Uma porta-voz dos tempos modernos</span>
| Foto: Adriano Damas/ Divulgação

Para dar seu recado, a cantora optou por uma conversa ao pé do ouvido em meio ao que ela chama de 'gritaria generalizada' e embalou as canções com arranjos que passeiam por elementos do rock com pitadas de blues. O resultado é uma sonoridade moderna responsável por dar um sopro de renovação ao trabalho da artista que uniu passado e presente ao misturar canções de compositores consagrados com músicas compostas por nomes da novíssima geração indie da MPB.

As temáticas abordadas por ela falam da ótica feminina sobre o amor, retratada pela música “Eu Sou Aquela” (Joyce Moreno e Paulo César Pinheiro) e também versam sobre política, em “O Resto do Resto” (Fátima Guedes”); a inquietude dos tempos modernos (“Alinhamento Energético”, de Letrux); e questões existencialistas (“Revelação”), sucesso de Fagner composto por Clésio & Clodô Ferreira nos anos 1970. Há ainda o discurso explícito em prol da liberdade proposta por Lulu Santos em “Toda Forma de Amor”.

Humana - Lançado apenas nas plataformas digitais, o álbum foi editado pela gravadora Joia Moderna, criada pelo DJ Zé Pedro

Geração indie - Dentre eles estão a politizada paulistana Letrux e Zé Manoel, maranhense apontado como um dos grandes compositores de sua geração

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