Pesquisadora Titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e vice-coordenadora do INCT-CENBAM (Centro de Estudos da Integrados da Biodiversidade Amazônica), Noemia Kazue Ishikawa é natural de Londrina e passou a infância no sítio da família, no Distrito de Maravilha. Bióloga formada na Universidade Estadual de Londrina, mestre em Microbiologia Agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, PhD pela Universidade de Hokkaido, fez também pós-doutorado no Instituto de Micologia de Tottori, Japão em 2009, e outro na Universidade de Clark, em Massachusetts, EUA em 2016. “Desde a faculdade eu tenho estudado assuntos envolvendo "os cogumelos". Quem estuda os fungos são chamados de "Micólogos", conta.

Autora dos livros "A Porteira Azul" (2014) e "Embaúba: uma árvore e muitas vidas" (2016), foi "Destaque da UEL" pela Universidade Estadual de Londrina em 2011; recebeu a "Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho - Grau Comendador" pelo Tribunal Superior do Trabalho, em 2017; o "Prêmio Jabuti - 1º Colocado na categoria gastronomia", entre outros títulos.

“Cada um dos prêmios e títulos trouxe uma alegria diferente, honestamente não esperava receber nenhum deles. Mas o mais gratificante foi ter a família e os amigos sempre presentes nas entregas dos prêmios e títulos.”

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?

Eu gostava de jogar bugalha (N.R: Jogo das Pedrinhas semelhante às Cinco Marias). Passava horas pelas estradas de terra escolhendo as pedrinhas perfeitas para minhas mãos.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?

Quando terminei a quarta série do primário, eu e outros alunos iríamos continuar os estudos na cidade. O professor Onofre Gomes continuou dando aulas de Matemática voluntariamente para nós, pois ele temia que o conteúdo da cidade fosse mais avançada e não queria que nós chegássemos na cidade sem saber frações de raiz quadrada. Foram apenas duas semanas, mas com a atenção do professor só para gente. O professor fazia o trajeto de 4 quilômetros de bicicleta. No último dia, ao vê-lo com dificuldade de se despedir da gente, prometi a mim mesma que um dia eu me formaria na universidade e iria convidá-lo. E assim, eu fiz 11 anos depois.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?

Gostava da aula de redação. O professor Leonel Maffi colocava uma figura no quadro e tínhamos que escrever uma redação com aquele tema.

Como era a sua escola?

Estudei o primário na Escola Municipal Rural Clotário Portugal, no Distrito de Maravilha. A escola era de madeira e telhado de barro, não tinha teto. As carteiras eram de dupla com o banco fixo na mesa. Antes do professor chegar, tínhamos que ir buscar água na mina e colocar no filtro de barro. Varrer e lustrar o assoalho de madeira. No inverno era frio e no verão quente. Nos dias de chuva, os sapatos ou os pés descalços chegavam com centímetros de barro grudado e o limpador de pé era muito disputado.

Usava uniforme?

Sim, usávamos um jaleco de cor branca.

O que você gostava de comer na hora do recreio?

A escola não oferecia merenda, minha mãe preparava uma marmita com arroz, feijão, algum refogado e alguma carne ou ovos. Tudo produzido em casa e muito saudável. Mas adorava trocar a minha marmita com algumas coleguinhas, principalmente com quem comprava sanduíche de pão com mortadela na vendinha que tinha ao lado da escola.

Você ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?

Quando passei a estudar na cidade, 30 quilômetros longe de casa, esqueci de levar o trabalho de genética para a primeira aula do professor Alceu Macuco. Meu pai levou o trabalho no intervalo das 10:00. Mas o professor não aceitou o trabalho fora do horário combinado e fiquei com zero. Este episódio foi pedagógico, nunca mais atrasei a entrega de nenhum outro trabalho. Depois de 23 anos reencontrei o professor Alceu em São Paulo e entreguei a minha tarefa atualizada. Desta vez ele a recebeu emocionado.

Já gostava do universo dos livros quando criança?

Sim, gostava, mas em casa tinha poucos livros, lembro de uma única coleção de livros para crianças comprado de um mascate. Uma biblioteca de verdade só fui conhecer na quinta série, com 11 anos.

E quando criança, imaginava que teria essa profissão?

Meu avô Kinzo Ishikawa tinha granja de galinhas para produção de ovos. De tempos em tempos recebíamos a visita do técnico agrícola Sr. Yasuo Hirama da cooperativa Cotia. O técnico sempre vinha com alguma novidade da cidade, ora sobre a ração, ora sobre doenças e vacinas. Foi assim que comecei a achar que este tal de cientista era um profissional importante.

mockup