Um rico trabalho em favor dos pobres
O padre Rafael Solano fala sobre sua vida antes e depois de ser ordenado aos 25 anos
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terça-feira, 20 de agosto de 2019
O padre Rafael Solano fala sobre sua vida antes e depois de ser ordenado aos 25 anos
Walkiria Vieira - Grupo Folha 
Em 12 de julho, quando se comemora o Dia de São João Gualberto, nasceu José Rafael Solano Durán, pároco da Catedral de Londrina. O mais velho de três filhos, é natural de Neiva, na Colômbia, e seus pais Ursus e Inês, entre outras qualidades, são definidos pelo padre como perspicazes e prudentes.
Até os 10 anos, o padre admite: “Eu era uma criança insuportável, não parava. Ia de mesa em mesa na sala de aula, ficava conversando e o divisor de águas considero que foi o início da Catequese. Irmã Isabel foi uma grande professora e ela me mudou”, recorda.
Diante da missão de estar à frente da Catedral Metropolitana Sagrado Coração de Jesus, que fica na região central da cidade, Solano observa o todo: “Meus precursores deixaram uma Catedral muito bonita e bem cuidada, é um desafio a continuidade e felizmente vemos avanços no entorno. Foi iniciado o trabalho de calçamento da Biblioteca Pública e estamos avançando em relação ao trabalho que precisa ser feito no Bosque e todo o Centro histórico”.
Acerca das pessoas em situação de rua, faz um desabafo: “É muito triste ver pessoas dormindo em calçadas, se é que podemos considerar que dormem. Desde criança, o meu pai nos levava às favelas e fazíamos um trabalho de solidariedade principalmente no Natal - mesmo na escola sempre me senti atraído a estar perto dos pobres”.
O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?
Gostava das aulas de teatro, de voleibol, das atividades de escoteiro e de ir à biblioteca.
O senhor comentou que era agitado. Chegou a receber bronca ou advertência?
Um dia, cheguei em casa com um beliscão – talvez o único meio pedagógico de corrigir na época, que chegou a tirar um pedaço de carne do meu braço. Eu não me sentia bem naquela escola. Essa foi a gota-d'água para a minha mãe. Fiquei lá só por duas ou três semanas e mudei. No Liceu, me encantei. Mas os castigos comuns da época eram obrigar a criança a ficar com os braços pra cima por 30 minutos.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?
De 1977 a 1986, estudei no Colégio Salesiano e tudo lá era bom. O ambiente, os colegas, os professores. Não havia um dia ruim.
O que você gostava de comer na hora do recreio?
Só nos primeiros três anos levei lanche. Minha mãe variava. Eu tinha uma lancheira dos Flintstones e uma garrafinha térmica. Às vezes era vitamina de banana, chocolate quente. Para comer era sanduíche, maçã picadinha com coco ralado por cima e nos anos seguintes eu usava a cafeteria da escola. Comia uma empada e um suco de cevada.
Como eram as notas do senhor?
Muito boas. Sempre fui indisciplinado, mas com um altíssimo nível de interação com os professores. Após a minha primeira aula de Trigonometria, cheguei a sonhar com a atividade. Via escaleno, tangente. Encantavam-me aquelas folhas verdes e virei o Tebas da Trigonometria.
E a disciplina preferida?
Sempre fui muito dedicado à leitura e gostava de Geografia, História e comecei ter minha própria biblioteca dos seis para os sete anos de idade quando li “As Aventuras de Tom Sawyer”, “As viagens de Gulliver”, “As Chaves do Reino” e as obras de Julio Verne, Nietzsche, Machado de Assis, entre outros. Resumindo, virei um intelectual.
Como seus pais observaram essa mudança?
Muito inteligente, minha mãe achou que eu queria um aumento na mesada. Mas não era isso. Aconteceu que eu comecei a entender a riqueza da leitura.
E como se vestia?
Como um nerd. Nunca usei calça de jeans e estava sempre de calça e sapato social. Mas por outro lado, continuei sendo interativo, gostava de sair, de ir à casa das pessoas, de tomar lanche e estar reunido.
Os seus irmãos, eram bons alunos?
Sim. Muito inteligentes. Afonso é zootecnista em Neiva e Jimeno é piloto de avião em Bogotá.
Em que momento decidiu ser padre?
Estudei Filosofia, Teologia e aos 18 anos entrei no Seminário. Vim para Londrina aos 25 anos para uma experiência em uma missão e me ordenei aqui. Fui reitor do Seminário Paulo VI, depois fiquei cinco anos estudando na Europa. Atuei quatro anos na paróquia São Vicente e nunca imaginei que seria o pároco da Catedral Metropolitana e olhar suas 84 paróquias. Sou um padre professor e, embora saiba que será uma passagem curta, será valiosa.


