É tempo de festas juninas. Santo Antônio, São João e São Pedro são datas do calendário que animam as pessoas. O regionalismo presente nas festividades do período, o clima descontraído e a oportunidade de todos confraternizarem são motivos que tornam o mês especial.

As paróquias, clubes, igrejas se enfeitam e preparam seus espaços para atrair o público já frequentador para a sua festa típica com música, comida e brincadeiras inspiradas no universo caipira.

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As escolas, por sua vez, não ficam de fora e a cada ano, renovam as tradições e inovam também com atividades que agregam as famílias e enaltecem a cultura do campo, seus valores, hábitos e riquezas. O uniforme fica de lado e a criatividade ganha espaço na hora de compor o traje à moda caipira.

Sem perder de vista o cunho pedagógico, as atividades promovidas nas diferentes disciplinas visam dar ao aluno a compreensão sobre a tradição das festas, suas origens e o valor que possuem culturalmente.

Espaços como escolas, clubes e igrejas são decorados para as festas juninas, uma forma de valorizar a tradição e os regionalismos
Espaços como escolas, clubes e igrejas são decorados para as festas juninas, uma forma de valorizar a tradição e os regionalismos | Foto: iStock

CHAPÉU DE PALHA

Conhecer as manifestações culturais do nosso país, suas raízes e formas de desdobramento na convivência social e no imaginário popular são aprendizados de grande valia.

Além disso, a Lei Federal nº 14.555, de abril de 2023, estabelece que os festejos como manifestação cultural brasileira e compõem o currículo obrigatório dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Na Escola Municipal Professor Hélvio Esteves, no jardim Beleville, região norte de Londrina, muitos estudos e preparativos em torno da festa junina de 2024, que será realizada na próxima sexta (14), a partir das 19 horas.

De de acordo com a diretora da unidade, Simone dos Santos Aguiar, os projetos pedagógicos desenvolvidos corroboram com a aprendizagem dos alunos. "Uma vez que apresentam questões sociais relevantes que devem ser pensadas, discutidas e geridas no bojo escolar e aplicadas na vida", observa.

Antes do festejo, uma gincana interna de arrecadação de prendas e recolhimento de reciclagem (garrafas pet e latinhas de alumínio). "São premiadas as turmas que arrecadarem maior número de prendas por meio de contagem de pontos estabelecidos previamente", explica a diretora.

O projeto também é direcionado às diversas áreas do conhecimento de acordo com o currículo anual de conteúdos e com um trabalho interdisciplinar de Matemática, Língua Portuguesa, História, Ciências, Geografia e Arte.

A escola tem como coordenadoras pedagógicas Ana Claudia Dezuo do Carmo e Michele Cardoso da Costa Santos. Com uma proposta que agrega a cultura regional, os educadores compreendem que a escola precisa ser um espaço para entender e refletir sobre a diversidade no processo de formação do nosso povo brasileiro.

"Compreender os processos históricos e regionais, faz parte desse aprendizado. Nossa cultura é muito rica e as crianças precisam conhecer os eventos que acontecem no Brasil todo e que contam nossa história", explica a diretora.

Assim, a festa junina é um desses eventos. Pelo seu regionalismo, por sua beleza, comidas típicas e repertório musical, marcam nossa vida escolar. "É interessante que a escola envolva não apenas os alunos, mas também os pais e toda a família para participar, desde a preparação das delícias gastronômicas que serão vendidas, às prendas para as brincadeiras tão esperadas, os enfeites para a decoração e é por isso que a festa sempre toma uma proporção grande. Não tem como não ficar animado com um evento tão bonito", reflete Santos.

Em dia com o projeto, uma das professoras regentes, Rossana Gontijo Lobo desperta o interesse de seus alunos - em plena consonância com a proposta que rege todas as escolas do município: o objetivo principal trabalhar a diversidade cultural, levando o aluno a conhecer, experimentar e vivenciar as várias formas de danças, músicas, comidas típicas e vestimentas, de cada região do país.

Sim, a festa Junina é realizada com a presença dos alunos, pais e familiares além dos professores e funcionários da escola, com tempo e comercialização de comidas típicas determinados a partir de reunião com decisão da Associação de Pais e Mestres e Conselho Escolar.

Uma festa dinâmica com apresentações artísticas e decoração feita pelas turmas, jogos, brincadeiras e comidas típicas de festa junina. É um período em que os alunos ficam animados e participam ativamente da gincana, confecção de enfeites, cartazes e contagem de pontos.

MÚSICAS TRADICIONAIS

"A história ou as histórias das festas juninas espalhadas pelo mundo trazem a presença da família, dos amigos, dos trabalhadores para celebrar, para comemorar e para agradecer." É o que explicam os músicos Luciana Schmidt e Miguel Santos, proprietários do Estúdio Musical Flauta e Fole.

Dentro desse universo distinto, eles selecionaram três músicas que foram gravadas por muitos grupos e intérpretes para diferentes idades e que estão sempre presentes nas festas e que resumem bem a simplicidade repleta de beleza, tanto nas letras, como na melodia e ritmo contagiante.

"A canção 'Olha pro céu', de Luiz Gonzaga, é uma música que descreve uma festa junina e de um amor que começou em uma festa assim. 'Capelinha de Melão', de João de Barro e Adalberto Ribeiro, é uma letra que fala sobre a celebração a São João. A "capela" mencionada simboliza a devoção presente nas festas. É bastante tocada nas festas e possui muitas gravações com diferentes intérpretes", explicam.

Já 'Pula fogueira', de Francisco Alves, segundo os músicos, é uma música bem animada que traz em sua letra a brincadeira. "E também é um desafio de pular fogueira nas festas, e com suas raízes em tradições antigas e rituais de purificação e proteção contra o mal", contam.

Luciana Schmidt e Miguel Santos, do Estúdio Musical Flauta e Fole, destacam a importância das músicas típicas que passam de geração em geração
Luciana Schmidt e Miguel Santos, do Estúdio Musical Flauta e Fole, destacam a importância das músicas típicas que passam de geração em geração | Foto: Rei Santos/ Divulgação

Luciana Schmidt e Miguel Santos compreendem que a música, que não pode faltar, elas contam a história dessas festas, o sucesso - ou não - das colheitas, motivam à dança, às tradições típicas (quadrilha, fogueiras, balões, entre outras) , a instrumentação (sanfona, triangulo, zabumba e voz).

"As letras também mostram expressões e gírias regionais, brincadeiras diversas entre crianças e adultos, como também a religiosidade como os dias dos Santos. Por isso, sim, as músicas valorizam o regionalismo", ratificam.

Os músicos consideram que as festas juninas são necessárias em nossos dias. "Para que as famílias possam viver alguns momentos de simplicidade, aprendizado e agradecimento pelo essencial do dia a dia em comunidade".

Acrescentam: "Só com as músicas citadas podemos perceber que na sua simplicidade, as músicas são de grande relevância para a cultura em geral, especialmente porque resgatam momentos em família, com música ao vivo que trazem lembranças culturais e afetivas, junto com boa comida e agradecimento. E também são curiosas, pois cada letra faz relação a costumes, tradições e história de diferentes povos e o entrelaçamento entre diferentes raças".

Serviço

Veja programação completa das festas em @educacaolondrina