Senado reage à censura do STF com reabertura de CPI
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terça-feira, 23 de abril de 2019
Diego Prazeres - Grupo Folha 
Após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de censurar a reportagem intitulada “O amigo do amigo do meu pai”, produzida pela revista Crusoé, alguns senadores decidiram retomar as discussões sobre a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação dos membros da corte. Para que seja aberta, é necessária a assinatura de 27 senadores.
Na última terça-feira (16) vários parlamentares se manifestaram neste sentido e até o autor do requerimento para a abertura da chamada “CPI da Lava Toga”, o senador Alessandro Vieira (CD-SE), afirmou que vai protocolar um pedido de impeachment contra Moraes e o presidente do STF, o ministro José Antonio Dias Toffoli.
No entanto, o conteúdo da reportagem, que aponta uma suposta ligação entre Dias Toffoli enquanto chefe da Advocacia-Geral da União com Adriano Maia, alto executivo da Odebrecht, em 2007, pode ainda ser insuficiente para sustentar a abertura de uma CPI. A reportagem expõe declarações de Marcelo Odebrecht à Justiça sobre um e-mail enviado em 13 de julho de 2007 a Irineu Beraldi Meireles e Adriano Maia em que pegunta “afinal, vocês fecharam com o amigo do amigo do meu pai?” e cuja resposta de Adriano foi “em curso”.
Marcelo Odebrecht confirmou que tratavam-se do ex-presidente Lula e Dias Toffoli, no entanto afirmou que somente Adriano Maia, desligado da empreiteira em 2018, era quem poderia esclarecer os detalhes das tratativas com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do Rio Madeira. O termo “amigo” surge porque em 2007 Toffoli havia sido nomeado por Lula chefe da Advocacia-Geral da União e, em 2009, escolhido pelo presidente petista para uma das onze vagas de ministro do Supremo Tribunal Federal.



