Projeto ensina crianças a criar jogos de computador
Alunos aprendem a linguagem de programação de computador é ensinada de maneira lúdica e estimula o raciocínio lógico
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de junho de 2019
Alunos aprendem a linguagem de programação de computador é ensinada de maneira lúdica e estimula o raciocínio lógico
Marian Trigueiros - Grupo Folha 

Um projeto piloto de inclusão digital em uma escola da rede municipal de Londrina já está começando a render frutos. Trata-se do Projeto Wash (Workshop Aficionados em Software e Hardware) realizado com cerca de 40 alunos do contraturno da Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico (região Leste). O projeto base deste modelo já existe há cinco anos na cidade de Campinas (SP), desenvolvido no CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer - órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia), que buscou o método científico utilizado no MIT Massachusetts Institute of Technology) nos Estados Unidos. Além de Londrina, o projeto deve ser lançado em outras cidades do Estado.
A proposta por aqui, contudo, foi repaginada pela equipe do curso Técnico em Informática Integrado do Ensino Médio do IFPR (Instituto Federal do Paraná), com a proposta de popularizar a ciência e a tecnologia por meio do ensino de linguagem de programação de forma lúdica para crianças alfabetizadas. “Lá em Campinas o projeto é aberto a toda comunidade das mais variadas idades. Neste modelo local, optamos por crianças do quarto e quinto ano do Ensino Fundamental. A escolha da escola se deu por já existir uma estrutura com sala multimídia adequada e, também, porque desenvolvem projetos de iniciação científica”, diz Fernando Accorsi, coordenador do curso do IFPR.

Ele explica que, por meio do programa de computador “Scratch”, as crianças aprendem a programar suas próprias histórias animadas, jogos e programas interativos. “Ao mesmo tempo, o contato com novas tecnologia os ajuda a pensar de forma criativa e a raciocinar sistematicamente. De maneira lúdica, por meio do jogo, desenvolvem o raciocínio lógico que facilita a aprendizagem da matemática, por exemplo.” O Scratch é um projeto do Lifelong Kindergarten Group do MIT Media Lab e é disponibilizado gratuitamente pela internet; cerca de 150 países o usam como ferramenta de ensino. “Mais do que a matemática, o que se aprende no programa pode ser aplicado em qualquer área do conhecimento, como ciências, geografia, história”, acrescenta.
Em outras palavras, o Scratch é um software que utiliza blocos lógicos e itens de som e imagem, para que a pessoa desenvolva suas próprias histórias interativas, jogos e animações, além de compartilhar de maneira online suas criações. Por não exigir o conhecimento prévio de outras linguagens de programação, é ideal para pessoas que estão começando a programar e foi desenvolvida para ajudar pessoas acima de 8 anos no aprendizado de conceitos matemáticos e computacionais. “O programa torna a linguagem mais fácil de ser manipulada e, com a interface gráfica, os blocos vão sendo, literalmente, montados e encaixados, já que cada peça representa um comando, como um determinado movimento.”

E de comandos as crianças aprendem rápido. A pequena Nicole Veronesi, de 9 anos, criou seu jogo de labirinto, no qual o personagem principal precisa percorrer caminhos com obstáculos para chegar ao centro do trajeto. “O mais legal é que a gente aprende brincando.” No que depender dos monitores, o processo de aprendizagem também continua divertido. “A cada oficina os monitores apresentam propostas para que os alunos pensem em soluções para incrementar ao jogo”, explica Luciano Weslen da Silva, de 18 anos, quarto ano do Ensino Técnico. No final das aulas são apresentadas curiosidades tecnológicas, como, por exemplo, o funcionamento de robôs e de um circuito eletrônico, sem finalidades pedagógicas, mas como demonstração da presença da tecnologia no dia a dia da população.
Viabilização
A intenção da Secretaria de Educação de Londrina é que o projeto seja expandido em 2020 para outras escolas do município depois dessa primeira etapa de implementação. As oficinas na escola estão sendo ministradas por seis monitores, alunos do IFPR, que participam como voluntários - mas devem receber bolsa de pesquisa futuramente - e são considerados multiplicadores do projeto. Para o próximo ano, a coordenação da escola já pensa em incluir o projeto como disciplina na grade curricular. O Projeto Wash em Londrina foi viabilizado com a intermediação da deputada Luísa Canziani (PTB) junto às instituições e do ex-deputado Alex Canziani, que também incluiu emenda ao orçamento no valor de R$ 150 mil.


