Levar a vivência musical a crianças da rede pública por meio de oficinas práticas de musicalização e ensino coletivo de instrumentos de cordas é a proposta do Projeto Orquestrando o Futuro.

O projeto vai ao encontro da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e das Diretrizes Curriculares da Secretaria Municipal de Educação, que compreendem relevância da música e das artes na formação de cidadãos.

O componente curricular Arte, engloba quatro linguagens: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro e cada linguagem traz sua especificidade, sua história e isso é respeitado no contexto escolar.

Na realização de propostas artísticas, nos anos iniciais do ensino fundamental, estas devem ser articuladas em seis dimensões de conhecimento, pois elas são indissociáveis e caracterizam a singularidade da experiência artística. Trata-se de linhas maleáveis que se interpenetram. Essas seis dimensões são: “criação”, “expressão”, “fruição”, “estesia”, “crítica” e “reflexão”. Vale ressaltar que não há nenhuma hierarquia entre elas, tampouco uma ordem para se trabalhar com cada uma no campo pedagógico

Concertos voltaram na semana passada

As atividades de 2026 foram retomadas na semana passada, quando com dois concertos especiais deram a largada oficial para mais um ano de musicalização nas escolas públicas de Londrina. As apresentações reuniram professores integrantes da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina e alunos participantes do “Orquestrando”.

Na última terça (24) o CMEI Antonieta Trindade recebeu o primeiro concerto do ano, marcando o reencontro da música com as crianças após o recesso escolar. Já na quarta-feira (25), foi a vez da Escola Municipal Carlos Kraemer abrir as portas para a música. A apresentação contou com um repertório especialmente preparado para o público infantil e também um momento especial de demonstração dos alunos da oficina com seus professores.

PROJETO CRESCE A CADA ANO

Criado em 2023, o "Orquestrando o Futuro - Oficinas de Musicalização" integra o Programa Vencer, da Secretaria Municipal de Educação de Londrina, e tem como proposta levar a vivência musical a crianças da rede pública por meio de oficinas práticas de musicalização e ensino coletivo de instrumentos de cordas.

Neste período, o projeto cresceu de forma expressiva: hoje atende 23 unidades escolares municipais e mais de 1.400 alunos entre 3 e 11 anos de idade. Além do ensino instrumental, 11 escolas também oferecem aulas de canto coral para crianças na mesma faixa etária. Os estudantes ainda podem participar de concertos didáticos, palestras, rodas de conversa e pesquisas, ampliando o contato com a cultura musical de diferentes formas.

Alunos da rede municipal de ensino participam de oficinas práticas de musicalização: atividade é realizada em 23 unidades
Alunos da rede municipal de ensino participam de oficinas práticas de musicalização: atividade é realizada em 23 unidades | Foto: Divulgação

A metodologia utiliza prioritariamente o tradicional folclore musical brasileiro, principalmente as cantigas de rodas e cirandas, as quais cirandas representam aspectos lúdicos das manifestações socioculturais populares. Pelo fato de serem cantadas e dançadas nas brincadeiras infantis, são constituídas de textos simples, repetitivos e ritmados. Assim, elas acabam colaborando com a aprendizagem por meio da fixação. Essas canções infantis populares não possuem um autor, ou seja, as letras consistem em textos anônimos que se adaptam e se redefinem ao longo do tempo.

Além das oficinas, os alunos podem participar de diversas atividades como concertos didáticos, palestras para professores e público em geral, apresentações dos alunos participantes nas oficinas, guia didático (conteúdos disponibilizados na plataforma didática online para consultas), rodas de conversas e amplas pesquisas.

INSTRUMENTOS DE CORDA

Na prática, os estudantes aprendem que os instrumentos de cordas são aqueles cujo o som é produzido pela vibração de uma corda presa em suas extremidades. Quanto mais longa e mais grossa a corda, mais grave é o som emitido e vice-versa. A quantidade de cordas nos instrumentos desta família varia muito, podendo ter uma, como o berimbau, ou mais de quarenta, como a harpa.

De modo contextualizado, compreendem que as cordas são usadas na música há milhares de anos, estando presentes nas culturas grega e romana. Os instrumentos desta família são muito diversificados e podem ser tocados de diferentes maneiras. São usados em apresentações solo, em conjuntos pequenos e grandes orquestras, entre outros. O representante mais conhecido desta família é o violino, considerado um dos instrumentos mais importantes da cultura ocidental.

Um dos momentos mais especiais para as crianças é quando tocam. Cientes de que há três principais maneiras de fazer a corda vibrar: quando dedilhada, quando percutida ou quando friccionada, ficam encantados e motivados a aprender sobre os movimentos. No caso dos instrumentos de cordas dedilhadas, o som é produzido a partir da vibração das cordas após serem dedilhadas pelos dedos ou por palhetas. Já diante dos instrumentos de cordas friccionadas, o som é emitido através de cordas postas em vibração por meio de um arco. No caso dos instrumentos de cordas percutidas, o som é produzido a partir da vibração das cordas após estas serem percutidas.

NOVIDADES PARA 2026

Este ano, o projeto traz uma novidade importante: a inclusão do violoncelo no currículo das oficinas. A expansão vem acompanhada de um reforço no acervo de instrumentos. "Estamos aguardando receber mais 200 instrumentos — entre violinos, violoncelos e dois contrabaixos pequenos, dando oportunidade às escolas de terem mais instrumentos disponíveis e a possibilidade dos alunos levarem os instrumentos para estudo em casa", explica Irina Ratcheva, coordenadora do projeto.

A coordenadora também adiantou um projeto ainda em desenvolvimento: "Estamos amadurecendo um novo projeto de criação de uma orquestra formada de alunos de todas as escolas", revelou. O Projeto Orquestrando o Futuro é uma realização da Artis Colegium Associação Cultural em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, por meio do Programa Vencer.

ORQUESTRA "SOLISTAS DE LONDRINA"

Criada em 1998, a Orquestra de Câmara “Solistas de Londrina” tem direção musical do violinista e maestro Evgueni Ratchev. Nesse período, foram inúmeras apresentações em festivais nacionais e internacionais, concertos memoráveis ao lado de artistas consagrados como Yamandú Costa, Daniel Guedes Marco Antonio Almeida, Fábio Zanon, Alex Klein, Quarteto de Violões Quartenaglia, José Staneck, Antonio Del Claro, João Carlos Martins, Jairo Chaves, Evgenia–Maria Popova, Tânia Camargo Guarnieri e Alessandro Borgomanero, Casio Cruz, Jairo Chaves, Duo Henosis e Natanael Fonseca.

A Orquestra “Solistas de Londrina” é vencedora de diversos prêmios, que culminou com o lançamento de seu quinto CD, “Retratos Brasileiros”, dedicado ao compositor Edino Krleger, reunindo obras para cordas.

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