O moço das boas-vindas
Com iniciativa e boa vontade, Cesar de Freitas é um porteiro acolhedor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2019
Com iniciativa e boa vontade, Cesar de Freitas é um porteiro acolhedor
Walkiria Vieira - Grupo Folha 
Natural de Maringá, César de Freitas tem 46 anos e trabalha na portaria do Sesi Cultural, que fica bem no centro de Londrina. Cercado de arte e de artistas está sempre atento a quem busca informações e entretenimento. Com a programação mensal do Sesi, que inclui apresentações musicais, teatrais e oficinas, Freitas logo entrega um folder com a programação completa a quem chega para contemplar uma exposição ou conferir as novidades do espaço.
Com pouco mais de um ano de idade, ele passou a viver em Londrina e três escolas compõem o seu currículo: Norman Prochet, José de Anchieta e Colégio de Aplicação. Pai de duas meninas, é avô de Arthur e Manuela: “E logo mais chega Antonela”. Daqui a alguns dias, Cesar, que é terceirizado, muda de endereço e todos sentirão sua falta, mas deixou sua marca. Conheça mais um pouco de Cesar e sua vivência escolar.
Qual sua lembrança mais marcante na escola?
As visitas que fazíamos à fábrica da Coca-Cola. Fui umas três vezes e a expectativa começava logo quando tinha que pedir a autorização para os pais. Caprichávamos mais ainda no uniforme e na hora que aquele ônibus vermelho chegava era mágico. Íamos ouvindo música e depois da visita a gente podia tomar Coca-Cola à vontade.
Você só estudou em Londrina. Chega a encontrar os professores?
Tem um que sempre vejo, mas acho que ele não me reconhece. É o Reinaldo, era professor de Física. Era muito sério e didático.
Já levou bronca ou foi pra diretoria?
Nossa educação em casa era levada para a escola. Os professores eram muito respeitados, até temidos, então nunca tive problemas assim. Eu só briguei uma vez porque nessa época já havia bullying e o menino me provocou tanto falando da minha cor e do meu cabelo que bati nele. Nessa época o muro da escola era baixo, então pulei e fui para casa correndo.
E do que gostava de brincar na escola?
De bola queimada. A quadra era de asfalto rústico e a gente se arrebentava mesmo e eu era bom de reflexo.
E suas notas?
Eu era médio. Em Inglês só tirava 90 e 100. Repeti de ano uma vez, Química não entrava, mas não desisti. No ano seguinte, foi só 80 e 90 de média.
E as crianças colavam?
Eu fiz uma cola uma vez porque não conseguia gravar o conteúdo. Passei tanto medo no dia e decidi que era melhor me esforçar e aprender. Aprendi também que aquela olhadinha de lado poderia dar errado porque às vezes o colega sabe menos.
Gostava mais de estudar de manhã ou à tarde.
Passei por todos os períodos e talvez quando passei a estudar a noite foi uma fase de maior adaptação. Eu queria ter o meu dinheirinho, tinha um videocassete em casa, alugava filmes com a turma da escola e o quarto chegava a ficar pequeno.
Então você começou a trabalhar jovem?
Sim, primeiro entrei na Guarda Mirim e no começo estranhava ter que raspar a cabeça. Meu primeiro emprego foi em um escritório de Café no edifício América, aqui onde fica o Relojão e eu trabalhava para o seu Miguel de Carvalho.
E como foi essa fase?
Era cansativo no começo, a gente emendava o trabalho com a aula, mas quando chegava na escola já sentia aquele cheirinho. Primeiro, jantávamos. Tinha salada de alface, arroz, feijão temperadinho e até almôndega.
E havia tarefas em grupo?
Principalmente os trabalhos de leitura. E não gostava muito de ficar parando, lendo. Queria andar de carrinho de rolimã, correr, mas toda a coleção Vaga-lume ficou marcada, lembro como se fosse hoje quando tivemos que ler o "Escaravelho do Diabo."


