Imagem ilustrativa da imagem Narrativas da indústria cultural dos mangás
| Foto: Daniel Leal Olivas/AFP

A maior exposição dedicada aos mangás fora do Japão abriu suas portas na semana passada no Museu Britânico de Londres, propondo uma viagem desde as raízes tradicionais desta arte até uma indústria que hoje move bilhões de dólares. A mostra segue a evolução dos mangás, dos espetaculares desenhos de grandes artistas japoneses como Katsushika Hokusai (1760-1849) a fenômenos mundiais como os Pokémon e os filmes de animação do estúdio Ghibli, premiados no Oscar.

"Há algo nos mangás que faz com que sejam especiais", considera Nicole Rousmaniere, curadora de artes japonesas. "É a linguagem visual que transmite o conteúdo muito, muito rapidamente. Isto se deve ao poder da linha. Acredito que tem a ver com o fato de que no Japão, quando você faz caligrafia, quando olha para os caracteres, seu cérebro já está condicionado a ter esse conteúdo pictórico", aponta.

Os visitantes podem aprender como ler corretamente um mangá, mas também admirar os delicados esboços do famoso "Dragon Ball" ou descobrir a influência do "pai do mangá" Osamu Tezuka (1928-1989), criador de personagens tão emblemáticos como Astro Boy ou a Princesa e o Cavaleiro. Porém, refutando a ideia de que os desenhos estão dirigidos apenas às crianças, também há obras dolorosas sobre o bombardeio nuclear de Hiroshima e o terremoto de Kobe de 1995.

Cada vez mais, também os internautas utilizam os personagens de mangás como avatares para criar identidades virtuais. "Existe um mangá para cada um, literalmente para cada tema", afirma Rousmaniere.

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