Em Londrina manifestantes organizaram a chamada “Marcha Antifascista” em repúdio à polêmica incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em determinar que as forças armadas comemorassem o golpe militar de 1964, que completou 55 anos.

Imagem ilustrativa da imagem Manifestantes fazem protesto contra golpe militar
| Foto: Ricardo Chicarelli

Aos gritos de “ditadura nunca mais” e “poder para o povo”, estudantes e ativistas de movimentos de esquerda se reuniram em frente a Biblioteca Púbica (centro) e seguiram por algumas ruas da região central até a Concha Acústica. Outros gritos de guerra contra Bolsonaro que se popularizaram nos carnavais de rua também foram entoados no protesto.

Com faixas e cartazes e vestidas de preto, cerca de 200 pessoas também relembraram personagens históricos que foram torturados pelo regime, como o jornalista Vladimir Herzog. Outras bandeiras também foram lembradas com o posicionamento do grupo contra a Reforma da Previdência que é a principal pauta em trâmite defendida pelo atual governo no Congresso.

Segundo o estudante Gabriel Rodrigues, membro do movimento Ação Antifascista Londrina, a marcha é suprapartidária. Ou seja, não foi organizada por partidos políticos. “Foi um período que rompeu com a democracia. Sem contar os atentados aos direitos humanos, tortura, mortes, desaparecimentos forçados. O dia 31 de março é uma data de luto e de luta, não só de lamentação.” Segundo Rodrigues, ao incentivar a comemoração do golpe militar, o presidente Bolsonaro feriu os princípios democráticos e constitucionais. “Ele atenta contra os pilares do Estado Democrático de Direito e a Constituição de 1988.”

Apesar do movimento classificado como apartidário, a ex-vereadora e ex-ministra do governo petista Marcia Lopes marcou presença no evento. Já a ex-vereadora e ex-deputada estadual Elza Correa (PPS), que enfrentou o período do regime quando era estudante, classificou como “insana” a tentativa do governo Bolsonaro de negar a ditadura no Brasil.

“É a mesma coisa que negar o Holocausto. Está tudo fora do lugar (…) Houve ditadura, foi um dos piores períodos da história brasileira. As perdas são irreparáveis. Ninguém consegue estancar o choro dos pais que perderam seus filhos. Foi um período de horror e querer comemorar isso está absolutamente fora do nosso pensar” disse.

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| Foto: Ricardo Chicarelli

Golpe militar de 1964 – ato liderado pelas forças armadas brasileiras para derrubar o governo civil de João Goulart em 31 de março de 1964

Ditadura militar – período em que o Exército governou o País (1964-1985) e quando o Congresso chegou a ser fechado e a liberdade de expressão foi restringida

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