Imagem ilustrativa da imagem Histórias reais do esporte dominam as telas

Nos últimos três anos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, premiou documentários relacionados ao esporte. Em 2017, o contemplado foi “O.J.: Made in America”, série da ESPN que narrou a história do ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson. No ano seguinte, o premiado foi “Icarus”, que detalhou o escândalo russo de doping com a ajuda do chefe do laboratório antidoping nacional Grigory Rodchenkov. A escolha de melhor documentário de 2019 recaiu sobre “Free Solo”, que relata a aventura do escalador solo Alex Honnold.

Segundo o crítico de cinema Carlos Eduardo Lourenço Jorge, mais do que a parte esportiva, o que a Academia privilegia é a repercussão dos fatos retratados. “Tirando o 'Free Solo', que é um filme legal e com ritmo, o que existe em primeiro lugar é a figura desses esportistas ligados a um caso de escândalo”, aponta. “O O.J., todos sabem quem é. O outro filme ('Icarus') aborda a questão do doping, ou seja, não é o retrato de nenhum anjo da guarda. Foram atletas pegos em situação de delito”, argumenta.

O cineasta Rodrigo Grota relata que a primeira vez que se sentiu próximo do formato do documentário esportivo foi em 2014, quando dirigiu o filme “O Nadador”. “Foi um documentário sobre o Tetsuo Okamoto, que foi o primeiro medalhista olímpico da natação brasileira. Ele conquistou a medalha de bronze em Helsinque, em 1952. Quando a gente fez esse documentário, o que percebi estudando a trajetória dele é que você vê muitos elementos dramáticos que são preciosos na construção da narrativa de um personagem. Ela está muito próxima do herói das tragédias gregas, que passa por muitas superações e desafios. A gente vê que hoje a mídia está focada nos atletas como se fossem semideuses, porque tem essa questão da jornada do herói impressa na trajetória desses atletas”, destaca.

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