Ela mantém a cidade limpa
A gari Dayane Munraim lembra dos seus anos de escola e faz planos para o futuro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de setembro de 2019
A gari Dayane Munraim lembra dos seus anos de escola e faz planos para o futuro
Walkiria Vieira - Grupo Folha 
De uma família com nove irmãos, a gari Dayane Munarim, 32 anos, filha de Maria e José, recorda-se do período escolar, quando estava estava cercada também
daqueles que dividiam tudo com ela - os pais, a casa e o caminho, da porta de casa, até a chegada à escola. “Era pertinho, e tinha uma fase que éramos quatro, cinco irmãos seguindo juntos para estudar”. Por mais simples que pudesse ser o material, o capricho dava aos caderninhos de Dayane o status de personalizados. “Ah, fazia bordas coloridas, flores e sinto saudades da escola”.
Casada e mãe de Lucas, de nove anos, admite que pega no pé do pequeno. “Ele é aplicado, mas como todo menino dessa idade, elétrico”. Há sete meses, Dayane é contratada pela empresa terceirizada pela conservação e limpeza da cidade e, embora já tenha trabalhado em indústrias e até loja de cosméticos, sente-se muito feliz com a atividade atual, que é ao ar livre.
Sua função oficialmente é de varredora e sopradora. Com todos os equipamentos de proteção necessários, bota, chapéu e luvas, é discreta e empenhada. “A vizinhança é querida, me cumprimenta e principalmente as idosas me tratam com carinho e respeito. Eu reconheço a importância do meu trabalho e me sinto feliz.” A Praça Willie Davids, a Marechal Floriano Peixoto e o Calçadão estão na rota da limpeza da profissional – que dá conta de dividir uns minutinhos da atenção entre a varrição e sua história com o leitor. “Para mim, a Floriano Peixoto, que é mais conhecida como Praça da Bandeira, é a mais bonita. É onde paramos para almoçar, é cheia de bancos, árvores e aconchegante”.
O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?
Amava as aulas de Artes. Mas sempre fui boa aluna. Também gostava muio de Ciências . Nunca repeti de ano e minha mãe nunca precisou ir à escola por algum problema meu ou dos meus irmãos.
Qual a melhor lembrança desse período de escola?
Tenho muitas lembranças boas, de todas as escolas. Estudei na Escola Municipal Eugenio Brugin, depois na Vani Ruiz Viessi e a última experiência foi no Colégio Estadual Albino Feijó Sanches. Parei no segundo ano do Ensino Médio por bobeira. Comecei a trabalhar aos 16 anos e talvez isso tenha influenciado na decisão.
O que você gostava de comer na hora do recreio?
Eu amava o dia em que serviam o mingau de chocolate. Dava para sentir o cheiro lá da sala de aula.
Tinha alguma disciplina que era encarada com medo?
Matemática. Parecia que não entrava na cabeça e até hoje lembro que era muito difícil para mim.

Lembra como era o uniforme?
Bem no começo, a roupa era a que tivéssemos. Depois, veio a camiseta e a calça continuou livre.
Seus pais acompanhavam sua rotina na escola?
Sim, mas iam mesmo nos dias de pegar o boletim, sabia que eu ia bem.
E como eram os professores?
Eram rígidos e respeitados. Lembo da Guedes, da Ilcéia e sempre admirei muito todas elas. Sabiam ensinar e comandar.
Havia castigos para quem não se comportasse?
Sim. Tinha que ficar no cantinho, de costas para a sala. Tinha aluno que jogava giz, bolinha de papel no professor e às vezes a bronca vinha com uma extensão: a régua era usada para conter os mais agitados.
Pensa em voltar a estudar?
Sim. Ainda hoje estava falando isso para os meus colegas. Instalaram uma tenda do Ceebeja - Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Londrina - bem aqui no Calcadão. Parece mais um sinal para mim e falta tão pouco para eu concluir o Ensino Médio. Com o meu diploma, quero continuar estudando e prestar concurso. Sonho com a estabilidade.


