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CIDADANIA -

Do 'touch screen' ao toque na natureza

Crianças da era digital experimentam tocar sapos, aves e répteis no Espaço Jabuti

Isabela Fleischmann - Grupo Folha
Isabela Fleischmann - Grupo Folha


Os alunos do quinto ano da Escola Municipal Professora Maria José Silva Santos, de Assaí (Região Metropolitana de Londrina), tiveram um “dia de campo” no Espaço Jabuti – Lazer e Conhecimento na última quinta-feira (19). O lugar é parceiro de escolas da região - através do Programa Folha Cidadania - desde 2007, oferecendo consciência ambiental e social. 


As crianças passaram uma manhã aprendendo de forma lúdica os conceitos ensinados na aula de ciências e geografia. Monitor e coordenador do espaço Jabuti, Renê Lopes, conhecido pelas crianças como “Tio Chuchu”, explica que a ideia é despertar o sensorial nos alunos, tirando o aprendizado da parte teórica. Assim, as crianças são instigadas a tocarem um sapo, uma galinha. Em uma era tecnológica na qual há pequenos que não sabem como se planta ou de onde vem o leite, já que nas cidades, o leite é uma caixinha de papelão no mercado, o projeto possibilita contato com a fauna e a flora para além dos livros didáticos.




Crianças que nunca tinham visto galos e galinhas de perto divertiram-se no Espaço Jabuti com a natureza ao seu alcance
Crianças que nunca tinham visto galos e galinhas de perto divertiram-se no Espaço Jabuti com a natureza ao seu alcance | Ricardo Chicarelli
 



“Temos que sair da escola também, tem crianças que só ficam dentro das casas. O projeto é um meio para aplicar o que eles aprendem, eles têm de fazer um relatório para a aula de ciências depois da visita”, afirma a professora Simone Rocha.


As crianças fizeram um círculo próximo aos animais, ao lado do “boizinho Bruce” e a “vaquinha Maitê”, minibovinos que dividiam espaço com a “Égua Baronesa”. Enquanto explicava biologia para as crianças, Tio Chuchu questionou: “as vacas produzem o quê?”. Leite, couro, carne, foram as respostas corretas dos pequenos.


Enquanto filmavam a explicação do monitor com o celular, Tio Chuchu exibia um galo e uma galinha polonesa. “Vocês sabiam que a galinha é o parente mais próximo do Tiranossauro Rex?”, perguntou. Ao passo que as crianças responderam com um uníssono “o quê?”.


Os monitores pediam que as crianças tocassem a galinha para sentir a textura das penas. “Ela tem pata de dinossauro”, concordou um aluno. Alguns tinham receio de passar a mão na ave, mas com a ajuda dos monitores, perderam o medo. Enquanto Lopes explicava que não é possível sair um pintinho de um ovo que está na geladeira, um aluno ficou intrigado. “Mas no vídeo no YouTube quebram ovos e sai pintinho”, disse.


A vida digital das crianças mudou a relação com a flora e a fauna. Com uma mão, a criança tocava o animal. Com a outra, filmava a ação no celular. As crianças não sabiam o som que a galinha da Angola fazia. Ao aprenderem, imitaram as aves com um “tô fraco”.


Os monitores explicavam as diferenças entre um peru macho e uma fêmea, lembrando que essas aves, embora tenham o nome igual ao país Peru, são originárias do México e sul dos Estados Unidos.


Tocar um sapo: experiência com gosto de aventura para os alunos da Escola Maria José da Silva Santos, de Assaí
Tocar um sapo: experiência com gosto de aventura para os alunos da Escola Maria José da Silva Santos, de Assaí | Ricardo Chicarelli
 


A maior surpresa do passeio foi o momento em que, de uma lixeira comum, uma monitora retirou sapos. Corajosa, Karen Mai, 11, não sabia que um sapo seria colocado nas suas mãos. Com os olhos cerrados, sentiu algo mole e gelado na pele, para a histeria dos estudantes. “Não tenho medo”, disse a aluna.


O animal que Aykon Joaquim Rocha, 10, mais gostou, foi o jabuti. Os répteis, que dão nome ao lugar de lazer, são provenientes de apreensões do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), cedidos ao Espaço Jabuti. “Como são apreensões de animais ilegais que estavam nas casas, eles não podem ser deixados na mata porque não sobreviveriam. Então são trazidos para cá onde nós alimentamos e cuidamos”, lembra Lopes.


O passeio terminou com a visita a uma horta de estufa, com a diversão de correr enquanto a irrigação estava ligada. “Muito legal”, celebrou Mai.  



O animal que dá nome ao Espaço Jabuti não poderia faltar no passeio que divertiu professores e alunos
O animal que dá nome ao Espaço Jabuti não poderia faltar no passeio que divertiu professores e alunos | Ricardo Chicarelli
 





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