Discórdia em sala de aula
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terça-feira, 07 de maio de 2019
Fernando Faro - Grupo Folha 
A polarização política que se arrasta pelo País provoca uma atmosfera bélica nas salas de aula. A prova disso é o vídeo divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro, no qual uma aluna questiona a professora por ela ter passado parte do tempo em classe tecendo críticas ao filósofo Olavo de Carvalho e ao movimento Escola Sem Partido. “Professor tem que ensinar e não doutrinar”, escreveu Bolsonaro em sua publicação na rede social.

A discussão sobre os direitos dos estudantes questionarem o posicionamento político dos professores vem se acalorando, mas na prática demonstra que há uma dificuldade para se encontrar um consenso. “Tenho por opinião que o assunto a ser discutido é o definido no conteúdo programático. O professor deve dar os caminhos para que os estudantes se emancipem intelectualmente e cheguem às suas conclusões. No entanto, cabe ao professor estabelecer limites sobre se aceita ser gravado ou não. O que parece é falta de bom senso. Ambos os lados estão empoderados”, opinou o professor Egon Bockmann Moreira, do departamento de Direito Público da UFPR (Universidade Federal do Paraná).
As reações sobre a postagem do vídeo por parte do presidente da República foram diversas. O próprio ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi a público para defender a posição do governo. Ele afirmou que os alunos têm direito de gravar os professores e pretende analisar os vídeos para checar se houve alguma irregularidade por parte dos educadores. "Não incentivo ninguém a filmar uma conversa na rua, mas eles têm direito de filmar. Isso é liberdade individual de cada um. Vou olhar os casos com calma. Não faremos nada de supetão”, disse Weintraub.
Escola Sem Partido: Movimento que defende que professores não podem promover o que chamam de “doutrinação ideológica” em sala de aula
Direito Público: Conjunto das normas jurídicas que regulam a relação entre o particular e o Estado


