Formado em História, Mestre e Doutorando em Educação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luis Henrique Mioto está escrevendo cinco livros infantis com temáticas existencialistas, os quais chama de “temas supremos”. “Pois são histórias que tratam de temas que toda criança passa, como a solidão, a relação com a morte, etc.” Os livros que serão lançados em março de 2020 pela editora Grafatório, serão ilustrados por Ricardo Bagge e Lariane Casagrande. Eles serão distribuídos gratuitamente a todas as escolas de Londrina e região e são patrocinados pelo PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura.

Mioto nasceu em São José dos Campos-SP e passou a infância toda por lá. “O bairro de minha infância em especial – com suas ruas sem saídas e cheia de crianças pra todo lado - foi de onde toda a minha atmosfera poética foi confeccionada, se chamava Cidade Jardim, bonito nome. Não ia em biblioteca, a da escola ficava fechada, era castigo”, recorda. Para estimular a leitura dos pequenos, Mioto sugere: “Nunca imponha a leitura. Deixem os livros, que são saborosos por si mesmos, à disposição e à mão das crianças. Leiam e contem histórias antes de dormir, como um ritual afetivo, a criança cresce ligando carinho-livros, livros-carinho. Levem as crianças a peças de teatro e cinema. Desenhem com elas, deixem folhas, tintas e lápis de colorir à disposição, por todos os lados, deixem elas pintarem as paredes. Estimulem a fantasia nas histórias que elas nos contam.” A seguir, confira mais memórias de Luis Henrique Mioto.

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?

Gostava de ficar observando as pessoas. A escola sempre apresenta uma riqueza muito grande de encontros e contato intenso com o outro, o diferente de mim.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?

As lembranças mais intensas são as que aprendi um pouco mais sobre mim, o que gosto e que não gosto, que definiram minha personalidade. Momentos de nascimento de uma amizade, de uma paixão, de encontro. Me lembro que os momentos mais extasiantes eram os inícios dos anos, quando todos estavam curiosos de como os professores seriam, de que planeta viriam, como seria o jeitão deles, etc. Depois virava rotina e ficava chato.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?

Gostava de momentos de inspiração dos professores e não de uma matéria em específico. Às vezes aconteciam momentos do professor estar animado e inspirado e conseguir conduzir o aprendizado da turma. Às vezes uma frase solta que o professor dizia ensinava mais do que o conteúdo que o professor tentava empurrar pra gente.

Luis Mioto e seu filho Lao, de 4 anos: autor incentiva crianças a ler, brincando
Luis Mioto e seu filho Lao, de 4 anos: autor incentiva crianças a ler, brincando | Foto: José de Arimathéia/ Divulgação

O que você gostava de comer na hora do recreio?

Minha mãe fazia um lanche embrulhado no papel alumínio, pra mim isso é mágico. Adorava abri-lo. Gostava de tomar o suco de pozinho que ela colocava na caneca de canudo de plástico azul. Hoje sei que suco de pozinho não faz o menor sentido, e tomo sucos da fruta que são muito mais gostosos, mas ficou a magia da lembrança.

Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?

Uma ou duas vezes. Mas, todas injustas. Tem duas formas de se esconder da opressão cotidiana na sala de aula e da disciplinarização que o modelo educacional hegemônico atual impõe: ou no enfrentamento ou na apatia. Eu quase sempre cai na apatia. Me lembro de ficar esculpindo giz com estilete, pra fugir pra um mundo meu, micro-esculturas, nenhum professor percebeu.

Suas notas eram boas? Qual a disciplina que ia melhor?

Minhas notas eram na média. Nunca me preocupei muito com as notas, fazia minha parte pra mantê-las dentro do esperado e sabia que ela ficariam ali entre as notas “azuis”. Gostava mais das disciplinas das áreas humanas, mas depende do dia.

Já gostava do universo dos livros quando criança?

Sempre. Minha mãe e meu pai sempre deixaram um monte de livros na nossa altura, nas estantes, eles gostavam da gente lendo, e provavelmente a gente gostava que eles gostassem. Eu e meus irmãos desde sempre fomos leitores, somos professores hoje, os três.

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